O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, considerou nesta quinta-feira que a crise diplomática com Honduras está "superada" e apostou no "potencial" de desenvolvimento das relações bilaterais, depois de se reunir com o chanceler do país caribenho, Arturo Corrales.

"As relações estão inseridas num contexto que vemos com muito otimismo e está superada a crise política", afirmou Patriota em entrevista coletiva realizada em Brasília ao lado de Corrales, que está em viagem ao Brasil desde segunda-feira.

Patriota se referia aos fatos ocorridos em junho de 2009, quando o então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto e expulso do país pelos militares.

Zelaya, que neste ano voltou de surpresa para a capital Tegucigalpa, apresentou-se sem aviso na embaixada brasileira em 21 de setembro de 2009 e permaneceu ali até 27 de janeiro de 2010, dia em que Porfirio Lobo assumiu a presidência e no qual o líder derrubado deveria concluir seu mandato.

As relações entre os dois países viveram meses de tensão e o Brasil se absteve de reconhecer o governo de Lobo. Em 31 de maio do ano passado, as relações se normalizaram quando Brasília nomeou o novo embaixador em Tegucigalpa.

Corrales manifestou seu desejo de receber a assessoria brasileira em diferentes setores, especialmente no de biocombustíveis, para aplicar os conhecimentos do país na produção de etanol de cana-de-açúcar, matéria-prima abundante em Honduras.

"Queremos que o Brasil nos ajude em muitas áreas, como a agricultura, e dessa maneira fomente o desenvolvimento dos pequenos agricultores", explicou.

Patriota disse ainda que Honduras oferece um grande potencial para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura em seus portos do Pacífico e do Atlântico.