O presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, culpou a valorização do elenco do elenco de futebol masculino pelo fim dos times de futebol feminino e de futsal. Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira, na sala de imprensa da Vila Belmiro, o dirigente - recentemente reeleito para o cargo - admitiu que a decisão de encerrar as equipes paralelas foi "complicada". No entanto, lembrou o reajuste provocado pela permanência de Neymar e a consequência da negociação em outras modalidades.
"A manutenção do Neymar tem um custo. Todo o time do Santos, à medida que ganhou títulos, encareceu, provocou um reajuste na folha. Chega um momento em que é insuportável não reduzir os custos. Para mim, é muito complicada a decisão (de término de duas modalidades), que pode resultar em coisas interessantes", explicou.
Com o fim do time de futsal do Santos, o ala Falcão - principal nome da equipe - chegou a ser especulado no Flamengo. No entanto, acabou fechando com o Intelli/Orlândia. Já para Kleiton Lima, ex-treinador da equipe feminina, a ação põe fim a um projeto ambicioso, que envolvia até mesmo a criação de um time do Santos para atuar nos Estados Unidos. Segundo Lima, a promessa de Luis Álvaro foi "eleitoreira".
Em sua coletiva, o presidente santista explicou o fim do time feminino. "O Santos iniciou-se na atividade há quase quatro anos atrás, em razão da Libertadores (feminina). Contava-se com patrocínio, a Marta, melhor do mundo, e atraiu a atenção da mídia. Acabamos campeões e assumimos em manter. Cogitamos ir aos Estados Unidos, mas foi inviável - fora os custos econômicos e as dificuldades com patrocinadores. Focamos no Brasil e tivemos um sucesso extraordinário", disse Luis Alvaro, que foi além.
"Temos dois problemas sérios que coloquei da maneira mais clara e objetiva para a Marta e para a presidente Dilma. A presidente e o ministro Orlando Silva (ex-Esporte) se interessaram bastante. Falei que precisávamos que o governo fizesse um apelo de televisão à inclusão deste esporte olímpico. Falamos com empresas, emissoras de televisão, mas o assunto não se desenvolveu - e nós sempre lutando. Não deu certo. Sem emissora de televisão não há patrocinador, que quer expor a sua marca, pois não é o público que vai manter", completou.
Ao longo de seu pronunciamento, Luis Alvaro fez elogios às agora ex-jogadoras, "maravilhosas, dedicadas, profissionais, excelentes atletas". Porém, mesmo defendendo o futebol feminino no Brasil, mostrou-se vencido ao filosofar: "uma andorinha só não faz verão".
"O futebol feminino é subordinado a CBF, que parece não ter muito interesse na modalidade. Quem sabe essa medida possa representar alguma mudanças?", questionou, em tom crítico.