Uma série de ataques deixou ao menos 63 mortos e mais de 180 feridos em Bagdá, capital do Iraque, nesta quinta-feira. O ataque acontece dias depois de a última tropa americana ter deixado o país e no momento em que o governo vive uma crise após a emissão de um mandado de prisão contra o vice-presidente, Tareq al-Hashemi.
De acordo com autoridades iraquianas, pelo menos 14 explosões foram registradas em 11 bairros de Bagdá. Foram vários tipos de ataque, entre eles um atentado suicida e a explosão de um carro-bomba.
Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelos ataques. Mas o fato de parecerem ter sido coordenados e por terem sido realizados em tantos bairros sugere uma capacidade logística de alto nível, como a da Al-Qaeda.
A maior parte dos ataques aconteceu em bairros sunitas, geralmente alvos da Al-Qaeda, mas áreas xiitas também foram afetadas.
Trata-se do primeiro grande ataque desde que começou a crise política entre os dois grupos, motivada pela emissão de um mandado de prisão emitido pela Justiça do Iraque contra o vice-presidente sunita, Tareq al-Hashemi.
O governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki acusa Hashemi de ter pago seguranças para assassinar autoridades do governo – o que ele nega. Malili também pressiona pela destituição do vice-premiê, o sunita Saleh al-Mutlaq, por tê-lo comparado a Saddam Hussein.
Com isso, muitos sunitas acusam Maliki de estar agindo para tirá-los do poder. Pelo sistema de divisão de poderes instituído pelos EUA, o Iraque tem um primeiro-ministro xiita, presidente curdo e presidente do Parlamento sunita.