O arquiteto e jornalista Pedro Cabral diz que pinta quadros (óleo sobre tela, lápis e crayon) por “diletantismo”, e que é autodidata e ainda está estudando estilos e todo o processo da pintura em si. Okay, que seja. Mas o cara é bom. Não é à toa que a curadoria do 27º. Salão de Artes da Marinha – que inaugura hoje, às 20h, no Centro de Convenções, no Jaraguá – o convidou pela segunda vez para levar um quadro seu à mostra.

E é verdade também que ele postou um álbum com diversas pinturas suas no Facebook e a galera da rede adorou. Então que se espere sempre coisas boas e sinceras – e muito bem trabalhadas, diga-se – desse artista nato das artes visuais alagoanas.

Muito seguro no retrato, Cabral diz que seu estilo está entre o figurativo e o abstracionismo. “Gosto muito do abstracionismo, mas não pinto puramente o abstrato. Quando trabalho com o figurativo, às vezes a expressão é mais clara, às vezes mais estilizada.”

O quadro que está exposto no 27º. Salão de Artes da Marinha – iniciativa da Capitania dos Portos, com apoio de diversas instituições culturais do Estado e patrocínio de empresas como a Braskem e a Petrobrás – é inspirado num poema de Paulo Renault chamado “O Riso”, que o poeta alagoano compôs para sua mãe.

“São várias ilustrações que eu fiz para o CD que Mácleim gravou com músicas feitas a partir de poesias alagoanas. Neste ‘O Riso’ não pintei mesmo a mãe do poeta, mas uma imagem que eu criei de uma pessoa alegre, feliz. Esse quadro está na minha sala juntamente com outro que fiz para um poema de Arriete Viela. Só que neste, é uma mulher negra com a boca tapada. O quadro ‘O Riso’ se contrapõe com uma mulher branca e sorridente”, explica Cabral.

Flores e torpedos

No salão anterior, o artista havia apresentado um trabalho bem mais abstrato, porém igualmente bem humorado, chamado “Quatro Cabras da Peste tocando Jazz no Carnaval”. Digamos que seja a cara dele, um cabra otimista com idéias generosas para o futuro. Diz que numa cidade que tem “uma carência tremenda” de cultura como Maceió, o empenho da Capitania dos Portos em realizar esse evento é “muito bem vindo”.

“Eu prefiro que a Marinha jogue flores e quadros de pintura a bombas e torpedos. Em Maceió, quando vemos uma obra de arte exposta é numa loja de decoração, num ambiente muito mercadológico.”

27º. SALÃO DE ARTES DA MARINHA – Aberto à visitação de domingo a domingo, das 14h às 22h, até o dia 23 de dezembro. ENTRADA FRANCA.