Delson Uchôa é um dos 51 artistas que integram o 27º. Salão de Artes da Marinha, que começa hoje, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no Jaraguá, a partir das 20h. Com um trabalho reconhecido nacionalmente e também fora do país, Uchôa tem participado nos últimos anos de muitas feiras internacionais, como este ano ele apresentou suas grandes telas na Art Basel, de Miami, e na Arco Arte Contemporânea de Madri e em outros eventos culturais em Nova York e na Cidade do México.
“Já se diz que essas feiras estão substituindo as bienais. Bem, é uma tendência”, diz o artista, que também participou da feira fluminense Rio Arte. “Realmente, eu ando muito ocupado”, afirma, apostando na curadoria de Carol Gusmão para esse renovado Salão de Artes da Marinha. “Quando a conheci mais jovem, ela era muito exigente. Espero que tenha continuado assim.”
Delson Uchôa destacou-se nos anos 1980 à frente da chamada “Geração 80”, realizando diversas exposições no Rio – onde se estabeleceu profissionalmente depois de estudar as artes plásticas na Europa. O quadro que ele enviou ao Salão da Marinha, com dimensões de 2m x 1,5m, chama-se “Hortelã”.
“Tenho um interesse grande em passar sensações. Trata-se de uma pintura refrescante, quero provocar reações de sensibilidade, fazer com que o público sinta a frescura da hortelã”, explica Uchôa, alertando que a sua obra não busca uma luz nordestina.
“O Nordeste já existe dentro de mim, ele faz parte da minha personalidade. Mas as formas que eu trabalho não são nordestinas. Eu tenho buscado criar o mestiço que é ser brasileiro, criar o híbrido. Esse híbrido traz informações que são mais eruditas do que propriamente ‘nordestinas’. Elas partem do mundo, do tempo e da história. É essa mistura que traz a universalidade”.
Suel Cordeiro mostra suas carpideiras à egípcia
O artista plástico Suel Cordeiro Damasceno é um dos jovens talentos convidados para apresentar seu trabalho no 27º. Salão de Artes da Marinha – que começa hoje, às 20h, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no bairro do Jaraguá.
O artista diz que “é um bom incentivo” a realização de uma exposição de grande porte como este Salão por uma instituição como a Marinha – apesar da desconfiança do prestigiado Delson Uchôa (“Uma exposição como essa era para ser feita pela Secretaria de Cultura do Estado”, alfinetou Uchôa).
Damasceno participará do evento com uma lona de 2m x 2m. “O tema são as carpideiras que eram pagas para chorar nos enterros e como essa profissão data de mais de dois mil anos, fiz uma brincadeira colocando híbridos de mulheres com cabeça de coruja em citação aos deuses egípicios.”, explica o artista.
Parece bom. Confira hoje na exposição coletiva promovida pela Capitania dos Portos de Alagoas. Ao todo, 51 artistas, entre escultores, pintores, fotógrafos e videomakers, estarão mostrando suas obras.
27º. SALÃO DE ARTES DA MARINHA – Inauguração hoje, com um coquetel a partir das 20h, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, no Jaraguá. Shows da cantora Fernanda Guimarães e do grupo Sambacaitá. Lounge musical do DJ Abutre. Aberto à visitação até o dia 23 de dezembro. ENTRADA FRANCA.





