Os dois funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que morreram ao ser atropelados por um trem na manhã desta sexta-feira (2) na Grande São Paulo descumpriram o procedimento de segurança. Segundo a assessoria de imprensa da CPTM, Edgar Antonio Dalbo, 55 anos, e Antonio Camilo Severino, 63, estavam autorizados a realizar inspeções ao longo da faixa ferroviária, mas não deveriam acessar os trilhos. No entanto, eles estavam na via férrea quando foram atingidos pela composição. No dia 27 de novembro, três funcionários da empresa morreram de maneira parecida, em serviço.

O acidente desta quinta ocorreu por volta de 10h, na linha 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi), sentido Itapevi. Em nota, a CPTM informou que os dois funcionários “estavam devidamente paramentados, utilizando todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) exigidos para o serviço, como capacete, colete com faixas refletivas e botas”. Os técnicos tinham mais de 30 anos de empresa.

Ainda de acordo com o comunicado, “essas inspeções são regulares e realizadas por dupla de técnicos para identificar possíveis falhas na estrutura dos trilhos e dormentes, durante o dia. Nestes casos, os técnicos não devem acessar os trilhos. Eles caminham ao lado da via férrea, fora dos trilhos, para observar se há algum ponto danificado e, assim, informar a manutenção que providenciará o reparo”.

A CPTM esclareceu que, além das normas de segurança, tem programas de treinamento para utilização correta dos equipamentos e para o tipo de serviço a ser executado na via férrea.

Falha
O caso foi registrado na Delegacia Central de Barueri, na Grande São Paulo. Para o delegado Marcos César Rodrigues Santos, houve erro na comunicação. "Houve falha de comunicação com certeza. Agora, vamos apurar como se deu esse duplo homicídio." O boletim de ocorrência foi registrado como 'homicídio culposo' (quando não há intenção de matar), mas Santos ressaltou não ser possível apontar ainda culpados para o acidente. De acordo com ele, até as 16h30 desta quinta, ninguém havia prestado depoimento sobre o caso. "O maquinista não estava em condições de falar, está muito abalado."

Outro caso
No madrugada de domingo (27), três pessoas morreram após serem atropeladas por um trem da CPTM entre as estações Brás e Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. De acordo com a companhia, as vítimas estavam transitando nos trilhos da Linha 11-Coral, sentido Luz, quando foram atingidas pela composição.

Um inquérito foi instaurado na delegacia de Acidentes de Trabalho para apurar o atropelamento dos três funcionários. A CPTM afirma que, depois de testar um novo trem, os quatro caminhavam sobre a linha, o que é proibido. A companhia diz que eles estavam sem os equipamentos de proteção, entre eles, o colete refletivo