Com uma multidão de funcionários comissionados e secretários na plateia, a base governista na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto (SP) derrubou na noite de ontem a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar supostas irregularidades em sorteios de casas populares.

A sessão foi tumultuada com cerca de 500 pessoas no plenário da Casa --que tem 250 lugares.

No final, os vereadores decidiram criar uma CEE (Comissão Especial de Estudos) --proposta defendida pela prefeita Dárcy Vera (PSD).

A decisão agradou ao público, que gritava palavras de ordem em apoio à prefeita e contra a instalação da CPI do chamado caso Cohab-RP (Companhia Habitacional Regional).

Segundo a Polícia Civil da cidade, duas pessoas são investigadas sob acusação de cobrarem até R$ 3.000 com a promessa de "furar" o sorteio feito pela Cohab-RP das casas do conjunto Paulo Gomes Romeu.

Uma das suspeitas acusa Dárcy de chefiar o suposto esquema. A prefeita nega envolvimento e diz que vai processá-la por isso.

O Ministério Público também investiga o caso. A Delegacia Seccional de Ribeirão informou que vai intimar Dárcy a prestar depoimento.

DESGASTE

A preferência da base governista por uma CEE se justifica porque uma CPI traria mais desgaste para o governo.

As CPIs têm maior autonomia para investigações. Podem convocar diretamente os envolvidos e pedir quebra de sigilos à Justiça.

Já na CEE, a convocação teria de ser aprovada pelo plenário, que é de maioria governista.

"A prefeita já enviou ao Ministério Público todas as informações e documentos. A CPI só faria isso depois de 120 dias", disse a vereadora Capela Novas (PPS).

Outro argumento pró-CEE foi apresentado pelos peemedebistas Cícero Gomes da Silva e Samuel Zanferdini. Eles alegam que a CPI investigaria só a Cohab-RP e livraria a CDHU (do governo estadual, hoje em atrito com Darcy) do desgaste. "O que tem para esconder na CDHU", questionou Cícero.

A estratégia dos peemedebistas também se justifica porque a Cohab-RP é comandada pelo PMDB desde que Dárcy assumiu a prefeitura em 2009.

'INVEJOSA, INVEJOSA'

A oposição, encabeçada pelas tucanas Silvana Resende e Glaucia Berenice, bem que tentou falar, mas a plateia fez barulho.

No grupo que lotou a Câmara, tinha até assessora de imprensa da prefeitura fazendo coro de "invejosa, invejosa" contra Silvana.

O único petista da Casa, Jorge Parada, ironizou o comparecimento em peso de funcionários e comissionados da prefeitura. "Temos muitos holerites aqui. Só faltou balançá-los para justificar a presença e a ´opinião`. Quem pode, mobiliza mais."

Estavam na sessão, entre outros, os secretários Luchesi Júnior (Casa Civil), Marco Antonio dos Santos (Administração), Maria Sodré (Assistência Social) e Jamil Albuquerque (Governo).