O ex-ditador de Cuba Fidel Castro advertiu nesta segunda-feira, em um artigo divulgado na imprensa local, que "uma agressão" por parte de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã "inevitavelmente desataria" uma "guerra sangrenta".

"Por sua capacidade de luta, pelo número de habitantes e pela extensão do país, uma agressão ao Irã não tem semelhanças com as aventuras bélicas de Israel no Iraque e na Síria", assegurou Castro, que já havia falado em suas "reflexões" sobre uma eventual guerra nuclear entre os países.

Segundo ele, "Israel dispõe de um elevado número de armas nucleares e [tem] a capacidade de fazê-las chegar a qualquer ponto da Europa, da Ásia, da África e da Oceania".

Fidel ainda questionou se a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) tem o "direito moral" de sancionar e asfixiar um país que tenta estabelecer sua própria defesa, assim como "Israel fez no coração do Oriente Médio".

Ele também citou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, segundo quem um ataque ao Irã não somente não está fora de cogitação, como "é uma opção real que está crescendo por culpa do comportamento iraniano".

Segundo Rice, o governo norte-americano "está chegando à conclusão" de que "será necessário acabar com o atual regime do Irã para evitar que este crie um arsenal nuclear".

Desde que voltou a fazer aparições públicas, em julho de 2010, Fidel tem tratado em seus discursos e textos sobre o perigo de uma possível guerra nuclear caso os governos norte-americano e israelense, que possuem armamentos nucleares, ataquem Teerã, acusada de estar desenvolvendo bombas da mesma espécie.

Na semana passada, a AIEA divulgou um relatório que acusa o governo iraniano de já ter produzido cinco toneladas de urânio enriquecido -- mais do que o suficiente, segundo analistas, para produzir várias bombas atômicas.