Uma investigação da Polícia Federal sobre o uso do banco PanAmericano para financiar contribuições políticas elegeu como um dos seus alvos principais um homem que recebeu sozinho R$ 6,6 milhões do banco durante a campanha eleitoral de 2010. Auditores que examinaram os livros do PanAmericano no início deste ano identificaram essa pessoa como o advogado Gianfrancesco Genoso, 47, que é procurador do município de São Paulo e diz ter mantido o banco como seu cliente nos últimos dois anos.
Os auditores não encontraram na contabilidade do PanAmericano nenhum contrato assinado por Genoso com o banco e nenhum documento que justificasse os pagamentos feitos ao advogado, de acordo com um relatório obtido pela Folha. Genoso ocupa atualmente o cargo de procurador-chefe da Fazenda e representa os interesses da Prefeitura de São Paulo no Tribunal de Contas do Município. Ele também advoga para empresas privadas porque ingressou na carreira de procurador numa época em que era permitido acumular as duas atividades.
Os recibos dos pagamentos feitos a Genoso foram localizados pelos auditores depois que o BTG Pactual comprou as ações do empresário Silvio Santos e assumiu o controle do PanAmericano. Eles estavam dentro de uma pasta com documentos que, segundo os funcionários do banco, eram associados pelos antigos diretores do PanAmericano a “campanhas institucionais”.