A pequena Biritiba Mirim, a 80 quilômetros de São Paulo, não figura entre as cidades mais ricas ou pobres do Estado, nem aparece nas listas dos municípios mais ou menos populosos. Além do fato de ter sido contemplada há pouco pela Assembleia com o título de “capital do agrião”, a cidade não se destaca em nenhum campo em particular. Apesar disso, foi a grande vencedora da disputa por verbas de emendas parlamentares do Orçamento paulista entre 2007 e 2010.
No período, o município foi contemplado com R$ 5,6 milhões no rateio dos chamados convênios por indicação parlamentar, ou R$ 265 para cada um de seus eleitores. É mais do que o dobro do segundo colocado no ranking do paroquialismo, Novo Horizonte, beneficiado com R$ 130 por eleitor.
A posição de Biritiba Mirim desafia a lógica que relaciona a influência política das cidades ao seu peso econômico ou ao tamanho do eleitorado. Os escassos 21 mil eleitores biritibanos foram contemplados com emendas de nada menos que 11 deputados – 10% dos parlamentares que passaram pela Assembleia nos quatro anos encerrados em 2010. Governado desde 2009 por um prefeito tucano, o município foi ainda beneficiado por um surpreendente movimento suprapartidário – parlamentares de oito legendas ajudaram a prefeitura a reforçar seus cofres.