Foram encerrados nesta sexta (11), os depoimentos das testemunhas de acusação nas audiências de instrução do processo que apura o homicídio do ex-ministro José Guilherme Villela, de sua esposa Maria Carvalho Mendes Villela e da empregada do casal Francisca Nascimento da Silva, em 2009.

As testemunhas de defesa e os réus devem ser ouvidos em audiências marcadas para a próxima quinta (17) e sexta-feira (18), a partir das 9h, no Tribunal de Júri. A audiência desta sexta durou cerca de sete horas.

Três pessoas foram ouvidas pela manhã: a filha do ex-porteiro Leonardo Campos, um prestador de serviços gerais à família e um policial, que namorava a neta do casal assassinato e estava presente quando no momento em que os corpos foram encontrados.

À tarde, um perito papiloscopista da Polícia Civil respondeu a perguntas sobre o laudo de impressões palmares (da palma da mão) atribuídas a Adriana Villela e encontradas na cena do crime. Adriana é filha do casal assassinado e suspeita do crime. Ela sempre negou as acusações.

O advogado de Adriana questionou a validade dos resultados do documento assinado por sete peritos. O objetivo foi apurar em que data Adriana Villela esteve no apartamento dos pais.

Na quinta (10), foram ouvidos o ex-titular da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), delegado aposentado Luiz Julião Ribeiro e a perita Jemima de Jesus Santos.

De acordo com Ribeiro, o comportamento de Adriana Villela, filha do casal assassinado, diante da falta de notícia da morte dos pais “quebra um padrão racional e instintivo”.

Na sexta-feira (4) passada, duas testemunhas prestaram depoimento. A delegada-chefe da Corvida, Mabel de Faria, foi ouvida por cerca de sete horas. A neta dos Villela, Carolina Villela, filha de Adriana, também foi ouvida.

De acordo com a delegada Mabel, "ao longo das investigações, essa suspeita de que Adriana Villela estaria envolvida no crime foi se robustecendo". A delegada também citou um relatório psicológico que indicou que Adriana “não tinha ressonância afetiva com nenhum dos pais e que os via apenas como patrocinadores de seus projetos”.

Entenda o caso
Os crimes ocorreram em agosto de 2009 no apartamento da família, na quadra 113 Sul. A arquiteta Adriana Villela, filha do casal, é uma das acusadas. Segundo a denúncia do Ministério Público, ela “utilizando-se de instrumentos pérfuro-cortantes, teria ceifado a vida de seus genitores, bem como de Francisca Nascimento da Silva, o que fez de forma premeditada, tendo como motivação conflitos de família por assuntos financeiros".

Os corpos foram encontrados em estado de decomposição. Uma neta do casal afirmou à polícia que os avós não teriam aparecido na sexta-feira anterior à descoberta dos corpos ao escritório de advocacia que Villela mantinha em Brasília.

Também são acusados o ex-porteiro do prédio onde moravam os Villela, Leonardo Campos Alves, que confessou os crimes; Paulo Cardoso Santana, sobrinho de Campos Alves; e Francisco Mairlon Barros Aguiar.

Mineiro da cidade de Manhuaçu, Villela tinha 73 anos. Chegou a Brasília nos anos 60. Atuou como procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal e, na década de 80, como ministro do TSE. Como advogado, atuou no caso Collor em 1992 e, mais recentemente, no processo do mensalão.