Ecologistas do Greenpeace ocuparam nesta segunda-feira as obras de construção de uma usina termelétrica na África do Sul para denunciar o uso intensivo do carvão no país que será sede da próxima Cúpula de Mudança Climática da ONU (COP17). Em breve comunicado, a organização informou que seis ativistas acorrentaram-se a 110 m de altura, no alto de um dos guindastes usados na obra da usina em Kusile, propriedade da companhia elétrica estatal Eskom.

Os ecologistas penduraram cartazes taxando a planta de Kusile de assassina do clima, com o objetivo de denunciar que "os custos reais da central de carvão são altos demais para os sul-africanos". Greenpeace acrescentou que os ativistas não deixarão as instalações até que a mensagem seja ouvida, informou a agência de notícias sul-africana "Sapa".

O carvão é um dos combustíveis fósseis mais abundantes e baratos, mas é a fonte de energia mais poluente, por suas altas concentrações de enxofre e de CO2, principal gás causador do efeito estufa e do aquecimento global. A central de Kusile, na província de Mpumalanga, é uma das duas novas centrais termelétricas que a Eskom vai construir, e irá gerar 4,8 mil megawatts a base de carvão.

A África do Sul, que vai acolher a COP17 no fim de novembro na cidade litorânea de Durban, gera atualmente 90% de sua energia a partir do carvão. Segundo o Departamento de Assuntos Ambientais sul-africano, este país é responsável por quase metade das emissões do continente africano e ocupa o 12º lugar no ranking de países poluentes "devido à alta dependência do carvão".

A taxa de CO2 por habitante é maior do que a média europeia e 3,5 vezes superior à dos países em desenvolvimento. Pelo plano de recursos elétricos para o período 2010-2030, até o ano de 2030 cerca de 65% da energia na África do Sul será de térmicas geradas a carvão e apenas 9% de energia eólica e painéis solares e 26% de energia nuclear.