A tabela do Mundial de 2014 foi alterada 57 vezes antes de ser divulgada oficialmente. Mas nem mesmo o festival de mudanças foi capaz de evitar a incoerência do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL), que teve o aval da Fifa para desenhar o torneio mais itinerante da história. Mesmo depois de criticar abertamente a estrutura dos aeroportos brasileiros, o órgão não economizou nos voos. Para chegar ao título, as seleções vão precisar viajar, em média, 8.176 quilômetros.
O POVO fez um levantamento com todos os 32 times somando as distâncias que cada um percorrerá na primeira fase e os supostos caminhos (passando como 1º ou 2º) no mata-mata até a final no Maracanã. Ao todo são 64 possibilidades. Algumas delas absurdas, como a tabela da seleção D1, que, se passar como vice-líder do seu grupo e decidir a Copa, terá voado nada menos que 13.080 km, quase a distância entre Rio de Janeiro e Tashkent, no Uzbequistão.
O Brasil, por exemplo, que é a seleção A1 (a única definida previamente), também vai viajar um bocado se quiser ficar com a taça. Só na primeira fase, são 4.055 km percorridos entre São Paulo, Fortaleza e Brasília. O trajeto até a final, passando em primeiro, será de exatos 6.206 km. Em segundo, 6.158 km. Ou seja, para chegar à decisão, serão no mínimo 10 mil km em 30 dias.
A tabela acabou sendo uma forma política de agradar todas as 12 cidades envolvidas no Mundial. E Ricardo Teixeira, presidente do COL, não teve nenhum pudor em assumir. “Poderemos ter as seleções cabeças-da-chave em todas as sedes, para não ter os melhores jogos apenas para as maiores cidades”.
Mas as reclamações foram muitas. Em declaração ao Estado de S.Paulo, um dirigente da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), que pediu para não ser identificado, criticou a escolha “arriscada”. “Todos os aeroportos vão ter de funcionar muito bem, e a logística terá de estar perfeita”, disse. O presidente da Federação Espanhola de Futebol, Angel Maria Villar, aumentou o coro dos insatisfeitos, que terão que arrumar (e muito) as malas.