O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, reúnem-se nesta quarta-feira (2) com o primeiro-Ministro da Grécia, George Papandreou, em Cannes, antes da cúpula do G20, para discutir uma saída para a crise da Grécia. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, também participa do encontro.
Papendreou desembarcou nesta quarta-feira em Cannes, após ter sido convocado para uma conversa de emergência com Sarkozy e Merkel.
França e Alemanha devem pressionar Papandreou pela rápida aplicação de medidas para combater a crise da dívida da zona do euro, o que Atenas tem posto em questão, após anúncio de que fará referendo para dizer se aceita o pacote de resgate de 130 bilhões de euros.
"Este anúncio pegou a Europa inteira de surpresa", disse mais cedo Sarkozy. "O plano ... é a única maneira de resolver o problema da dívida da Grécia."
A dupla franco-alemã primeiro se reuniu com diretores de instituições da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira para discutir como limitar os danos da medida grega e pressionar para um resultado rápido.
Merkel sublinhou o mesmo tom de exasperação e impaciência. "Concordamos com um plano para a Grécia na semana passada. Queremos colocá-lo em prática, mas para isso precisamos de clareza, e o encontro desta noite deve ajudar exatamente com isso", declarou.
Lagarde classificou o referendo como um "soluço" nos esforços para resolver a crise de dívida da zona do euro. Mas, segundo ela, ainda há esperanças de uma recuperação econômica global através de uma ação "corajosa e de cooperação" de líderes mundiais.
A Grécia embolou as negociações no G-20. Se já estava totalmente tomada pela pauta europeia, agora a reunião de cúpula das maiores economias do mundo ficou travada pela decisão de Papandreou de realizar um referendo sobre o resgate da União Europeia.
Economistas e governos temem que o referendo possa forçar a Grécia a dar default em suas obrigações relativas à dívida e fazer com que a crise engula algumas das maiores economias da Europa.
Divisão política
Alguns membros do partido de Papandreou pediram que ele deixe o cargo, acusando-o de pôr em perigo a participação da Grécia na zona do euro com sua decisão surpresa de convocar um referendo, em uma atitude que derrubou o euro e os mercados globais.
'O referendo será uma mensagem clara para dentro e para fora da Grécia sobre nossa história europeia e participação na zona do euro', disse Papandreou em uma reunião de gabinete. 'Ninguém será capaz de duvidar sobre a continuidade da Grécia na zona do euro.'
A expectativa é que o Parlamento grego vote a realização do referendo até sexta-feira. Apesar da expectativa de que o governo consiga a aprovação do voto de confiança, alguns analistas acreditam que o grande teste no Parlamento será o projeto do referendo. Segundo a Constituição grega, o governo precisa de maioria simples no Parlamento, que tem 300 cadeira, ou seja, 151 votos. O Pasok atualmente tem 152 legisladores, mas quatro já se mostraram contra o referendo.