Não foi de caso pensado. Nem qualquer tipo de retaliação. Ele jura que ficou nervoso na hora e, simplesmente, esqueceu de cumprir o protocolo. Na noite de segunda-feira (31), durante um evento em São Paulo, Abilio Diniz, presidente do conselho administrativo do Pão de Açúcar, não cumprimentou a presidente Dilma Rousseff após ganhar o segundo lugar entre os líderes mais admirados do país. A gafe rendeu comentários.
- O que aconteceu, Abilio? Você foi o único, o único que não cumprimentou a Dilma. Todo mundo olhou - repreendeu a assessora do empresário, tentando manter a discrição.
- Não sei... Não sei... Fiquei nervoso na hora, mas cumprimentei agora no final...
- Agora? E falou o quê?
- Falei... Desejei boa viagem - explicou-se um constrangido Abilio Diniz.
Dilma estava na primeira fileira, entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e Mino Carta, diretor de redação da CartaCapital, revista promotora do evento. Lugar estratégico. Em frente ao palco.
Toda vez que um dos dez empresários premiados era chamado para receber seu troféu, subia três degraus bem em frente a Dilma, tirava a foto de praxe e descia, com parada obrigatória para cumprimentar as autoridades: eram dois beijinhos em Dilma e apertos de mãos em Alckmin e Mino Carta. Foi assim com nove deles. Abilio Diniz passou direto. Dilma nem se levantou.
Discurso antes de partir
A presidente fez o discurso de encerramento do evento "As Empresas Mais Admiradas do Brasil 2011", e seguiu para Cannes, na França, onde participa da reunião do G20 a partir desta quinta-feira (3). Aproveitou para falar sobre a mensagem que levará aos líderes das principais economias mundiais.
Frente à crise econômica, que Dilma considera de proporções "iguais ou piores que as de 1929", são necessárias "medidas urgentes". "Cabe ao G20 ajudar a restabelecer a confiança no retorno do crescimento, em especial das economias desenvolvidas", disse a presidente. E completou: "Nós somos capazes de fazer a nossa parte por nós mesmos", em referência ao Brasil e aos países emergentes, que sofrem menos com a crise.
Em sua passagem por São Paulo, Dilma ainda visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Hospital Sírio-Libanês, onde ele deu início à quimioterapia para tratar um câncer na laringe. A visita durou pouco mais de uma hora e contou com discussões sobre economia e a crise mundial.
Na passagem pelo hospital, Dilma estava acompanhada de Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que seguiram para o evento com a presidente.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já estava no quarto de Lula quando Dilma chegou. Após a visita, também seguiu para a premiação, que contou com a presença de outros ministros, como Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Garibaldi Alves (Previdência Social), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Iriny Lopes (Políticas para as Mulheres), além dos governadores Geraldo Alckmin (São Paulo) e Cid Gomes (Ceará), além do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.