Após terem sido condenados, na semana passada, no Fórum de Taubaté (SP), a 17 anos e meio de prisão pela morte de quatro pacientes em 1986, os médicos Rui Noronha Sacramento, Pedro Henrique Masjuan Torrecilas e Mariano Fiore Júnior protocolaram recurso alegando nulidade do julgamento devido ao cerceamento de defesa. As razões serão apresentadas em segunda instância. Os réus respondem em liberdade, já que o juiz Marco Montemor levou em conta que eles não tinham antecedentes criminais.

Os três médicos, junto a Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que morreu em maio deste ano, foram condenados por terem retirado irregularmente os rins de quatro pacientes no antigo Hospital Santa Isabel das Clínicas, onde as vítimas morreriam. O caso foi a público após ser denunciado pelo médico Roosevelt Kalume, que acusou os colegas de fazerem parte de um esquema de tráfico de órgãos, crime do qual eles foram absolvidos em processos administrativos no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e no Conselho Federal de Medicina (CFM).

O julgamento contou com um júri composto por sete integrantes e durou quatro dias. De 1986 para cá, todos os réus continuaram exercendo a medicina.