O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, foi chamado ao Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. Também participam do encontro os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.

O tema do encontro não foi divulgado, mas o chamado da presidente ocorreu após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de iniciar investigação sobre os convênios do Ministério do Esporte firmados com organizações não governamentais, alvos de denúncias envolvendo o programa Segundo Tempo que tem por objetivo estimular a prática de esportes entre jovens.

O STF deu o prazo de dez dias para que o Ministério dos Esportes apresente sua defesa. O ministro Orlando Silva não foi ao encontro. Ele participou de uma audiência pública hoje, na Câmara dos Deputados.

As acusações contra Orlando Silva
Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrupção na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Segundo o delator, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, organizações não-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

João Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

O ministro nega as acusações e afirmou não haver provas contra ele, atribuindo as denúncias a um processo que corre na Justiça. Segundo ele, o ministério exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os convênios vigentes vão expirar em 2012 e não serão renovados.