Desertores do Exército sírio mataram na terça-feira dez soldados em ataques contra comboios mobilizados para esmagar manifestações pró-democracia, disseram ativistas, na véspera de uma visita em que a Liga Árabe pretende iniciar um diálogo entre o presidente Bashar al Assad e seus adversários.
Moradores e ativistas disseram que o confronto ocorreu na província de Idlib (noroeste), onde se concentraram soldados que desertaram durante uma recente ofensiva na província de Homs (centro).
Assad, que há sete meses reprime com violência uma onda de protestos, parte da chamada Primavera Árabe, concordou em receber uma comissão da Liga Árabe na quarta-feira em Damasco. Autoridades regionais dizem que as autoridades sírias retiraram as objeções prévias ao fato de a comissão ser chefiada pelo Catar, que tem feito duras críticas a Assad.
"O que se espera é que a violência acabe, que um diálogo comece, e que reformas sejam realizadas", disse Nabil Elaraby, secretário-geral da Liga.
A comissão será formada também por Egito (onde alguns membros da oposição síria se refugiaram), Argélia, Omã, Sudão e Iêmen (países considerados mais simpáticos a Assad).
O governo de Assad diz que pretende promover reformas, mas que os militantes desejam sabotá-las. Já a oposição afirma que o presidente não tem intenção de abrir mão de nenhum poder, e que a onda de assassinatos, prisões e torturas são um sinal disso.
De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, sete soldados foram mortos por desertores na localidade de Maarat al Numaan. Moradores disseram que outros três foram abatidos perto da cidade de Khan Sheikhoun.
Houve relatos também de confrontos durante a noite na Planície de Hauran (sul), uma região agrícola estratégica, na fronteira com a Jordânia, onde a repressão governamental tem se intensificado; e em Talbiseh, perto de Homs, segundo moradores.
Não houve relatos de mortos nesses incidentes. As autoridades sírias dizem que "grupos terroristas armados" e apoiados por forças estrangeiras já mataram 1.100 soldados e policiais na Síria. A ONU afirma que 3.000 pessoas, inclusive 187 crianças, já foram mortas na repressão aos protestos por democracia.
Na segunda-feira, oito pessoas foram mortas por soldados e milicianos pró-governo em bairros de Homs habitados pela maioria sunita, que são um reduto dos protestos e, mais recentemente, um refúgio dos militares desertores, segundo moradores.
O governo expulsou da Síria a maioria dos correspondentes estrangeiros, o que dificulta a verificação independente dos relatos.