O restaurante que explodiu na manhã desta quinta-feira (13) matando três pessoas e ferindo outras 17 na praça Tiradentes, no centro do Rio, armazenava cilindros e botijões de gás em seu subsolo, conforme informou à polícia uma funcionária do estabelecimento. Em seu depoimento, a funcionária afirma que, há cerca de dois meses, houve um vazamento no fogão usado para preparar as refeições e que, na época, o dono do estabelecimento providenciou o conserto.
Até as 18h30, pelo menos 12 pessoas haviam sido ouvidas na delegacia da Gomes Freire (5ª DP), que investiga o caso.
O restaurante Filet Carioca ocupava duas das cinco lojas que ficam no andar térreo do edifício Riqueza, que tem 137 salas no total. Segundo a funcionária, a cozinha funcionava na parte de cima da loja e o subsolo, onde estava armazenado o gás, também era usado para funcionários trocarem de roupa.
Também foi ouvido pela polícia o dono de uma banca de jornal que fica em frente ao edifício. À polícia, ele contou que o chefe de cozinha, Antônio Severino, que morreu na explosão, chegou para trabalhar por volta das 6h, entrou no restaurante, e saiu, reclamando do forte cheiro de gás.
Segundo o jornaleiro Jorge Luiz Leal, ele o procurou em busca do telefone do proprietário do restaurante, para informá-lo sobre o problema. Enquanto isso, o atendente Josemar, que também morreu no acidente, chegou para trabalhar e saiu do estabelecimento.
Ao jornaleiro, Josemar teria dito que o gás estava aberto desde a noite de terça-feira (11). Um terceiro funcionário que está entre os feridos com maior gravidade comprou um maço de cigarros na banca e entrou no restaurante, de acordo com o depoimento de Leal.
O dono do restaurante, que, segundo seu advogado, foi hospitalizado após ter sofrido uma crise nervosa, pode responder por homicídio com dolo eventual, por desrespeitar as normas de segurança e, portanto, ter assumido o risco de um acidente fatal.
Às 18h30, eram ouvidos dois representantes do hotel Formule 1, que fica bem ao lado da explosão, e o síndico do condomínio.