O delegado Valdeks Pereira não ficará mais no comando da Delegacia de Traipu. Ele foi designado para o cargo após a justiça determinar o afastamento das funções públicas do delegado Eraldo Brasil Filho que deveria assumir a delegacia do município, depois de deflagrada a Operação Tabanga.

A nomeação de Pereira ocorreu no dia 29 do último mês, mas para o delegado seria praticamente impossível assumir mais esse ‘compromisso’ com a sociedade, já que atualmente responde por outras quatro delegacias, em Feira Grande, Olho D’Água Grande, a Regional de Arapiraca e uma distrital no mesmo município.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil de Alagoas confirmou ao CadaMinuto o pedido de dispensa de Valdeks da função, que foi aceito pela direção da instituição. Um novo delegado será remanejado para o município, mas enquanto não houver a publicação no Diário Oficial, Valdeks Pereira continua sendo o titular de Traipu.

Antes da Operação Tabanga, quem respondia pelo município era o delegado Sandro Marcelo, que a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), foi afastado do cargo.

Sandro Marcelo foi afastado por conta dos diversos inquéritos policiais que seguem sem solução em Traipu, dentre eles a morte de um secretário, cujo autor material foi identificado, mas ainda não está preso.

No lugar de Sandro Marcelo, a Polícia Civil nomeou Eraldo Brasil Filho, que foi afastado por conta de uma decisão judicial de 28 de setembro. Ele é acusado de uma série de irregularidades durante um plantão na delegacia de Palmeira dos Índios, quando liberou a esposa de um traficante. Além disto, no mesmo plantão, um menor apreendido conseguiu escapar, e uma arma sumiu da delegacia.

Tabanga

As investigações foram iniciadas em abril deste ano pelo Grupo Estadual de Combate ao Crime Organizado (Gecoc) e pela Controladoria Geral da União (CGU) mostram o rombo milionário com o desvio de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE).

O prefeito afastado, Marcos Santos, segue foragido, assim como sua esposa, Juliana Kummer. A Polícia Federal acredita no vazamento de informações sobre a operação, já que na noite anterior a ação, o prefeito esteve reunido com secretários e em seguida sumiu. Atualmente que está no comando da cidade é a vice-prefeita, Julliany Machado, que é nora de Marcos Santos. Ela assumiu Traipu na última quinta-feira (22).

Todas as pessoas detidas na operação serão indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, prevaricação, peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso, emprego irregular de verbas públicas, dentre outros crimes. Os presos e os materiais apreendidos durante a operação serão encaminhados para a sede da PF, no bairro do Jaraguá, em Maceió.

A operação ‘Tabanga’, cujo nome é de uma serra localizada em Traipu, é um desdobramento da Operação Mascotch, deflagrada em 30 de março deste ano e que culminou com a prisão da primeira dama do município Julianna Kummer. Na época foi descoberto um desvio de cerca de R$ 8 milhões de prefeituras que são acusadas de fraude em contratos públicos, que tinham como objetivo fornecer merenda escolar nas respectivas cidades.