Foi com tristeza e decepção que o vereador e radialista Oscar de Melo (PP) usou a tribuna da Câmara Municipal de Maceió para, pela primeira vez, se pronunciar oficialmente sobre as denúncias protocoladas no Ministério Público Estadual por um ex-funcionário de seu gabinete. Neilson Tenório de Lima acusa o parlamentar de calote durante a campanha política em 2008.
O caso estampou a capa de jornal de grande circulação do Estado no último domingo (25), após o empresário – do ramo de mecânica automotiva – denunciar que teria aceitado ser nomeado para um cargo no Legislativo Municipal como forma de pagamento de uma suposta dívida no valor de R$ 21 mil. O fato começou a ser apurado pelo MP desde abril deste ano.
Em seu discurso, Oscar de Melo lembrou toda sua trajetória política e afirmou não temer qualquer tipo de investigação já que possui uma vida limpa. “Não uso a tribuna para falar sobre o caso com constrangimento, mas com muita tristeza. Um bandido, ladrão, quando comete algum crime não se importa quando as coisas são divulgadas, até porque ele tem a consciência do que fez. Mas quando não se tem culpa, o sentimento é de tristeza, pois tenho um nome limpo, sempre tive e continuarei tendo”, desabafou.
A denúncia, no entanto, foi recebida com surpresa pelo parlamentar, que mantinha uma relação de amizade com o empresário que era chamado de ‘compadre’ e sempre frequentava reuniões familiares na casa de Oscar de Melo. Neilson Tenório também era um de seus companheiros de campanha e foi uma das primeiras pessoas nomeadas pelo vereador quando conquistou uma vaga na Casa de Mário Guimarães, nas últimas eleições. “Ele fazia parte do meu gabinete desde o primeiro dia. Sempre foi um grande amigo e esteve presente na campanha, assim como meus familiares e outros amigos”.
Ao tomar conhecimento da denúncia, o vereador esteve no Ministério Público e conversou com o promotor Marcus Rômulo, o responsável pela apuração do fato. “Diferente do que ele fez, não apresentando documentos que comprovassem a veracidade dos fatos, estive no órgão e levei vários documentos, dentre eles, e-mail’s que estavam salvos na minha caixa postal e onde mostrava minha insatisfação com o não cumprimento das obrigações dele enquanto servidor público”.
A suposta dívida de R$ 21 mil acumulada por Oscar de Melo junto ao empresário seria para a manutenção de 16 veículos utilizados durante a campanha eleitoral, o que foi desmentido pelo vereador. “Na época usava três carros: uma Kombi – que até hoje pago –, um Corola e um Fiesta. Essa era minha estrutura de campanha. Minhas despesas eram apenas com combustível e o único funcionário remunerado era o responsável pelo carro de som. Os outros membros da minha campanha eram minha mãe, esposa, familiares e amigos. Fiz uma campanha para pedir voto e foi assim que consegui chegar aqui”, explicou o vereador que teve nas eleições uma expressiva votação, conquistando 10.664 eleitores.
Ele lembrou ainda que a alimentação de funcionários do comitê, além de materiais de campanha, foi obtida graças às cartas de créditos que tinha devido a pagamentos quando trabalhava na TV Alagoas. A sala onde funcionava sua sede foi emprestada por um amigo. Em seu pronunciamento, ele chegou ainda a citar que todo seu patrimônio – carro, casa e outros bens – foram conquistados durante sua época de funcionário da emissora, afiliada do SBT no Estado.
Mas foi quando passou a integrar a Câmara de Vereadores de Maceió que Oscar de Melo disse conhecer o ‘olho grande’ e a ‘inveja’ de algumas pessoas. “Quando a gente vira político, tem gente que acha que temos a obrigação de mudar a vida delas. Sou um tipo de político que desenvolvo várias ações sociais em comunidades e quero ao me lado pessoas que trabalhem, que vistam a causa”.
A insatisfação do ‘amigo’ em relação ao salário começou a gerar problemas para Oscar de Melo. Em um dos e-mail’s entregues ao MP, o vereador mostra que chegou a ser coagido pelo empresário. “Ele disse que iria me denunciar no órgão, que teria sido aconselhado pelo irmão que é procurador federal. Eu respondi que ele assim fizesse a denúncia porque não tinha o que temer”. Toda a documentação está em posse do promotor Marcus Rômulo.
A denúncia levantou ainda o questionamento de algumas pessoas junto ao vereador se isso não seria uma retaliação, devido seus posicionamentos no parlamento. “Tenho 16 anos de comunicador, três como vereador e tenho minhas posições, independente de agradar ou não”.
Por fim, Oscar de Melo disse que chegou a cogitar a possibilidade de não mais disputar um cargo público, mas a mudança de opinião aconteceu após um telefonema de um tio que é considerado como um pai na vida dele. “Esse meu tio me ligou dizendo que havia feito o recadastramento biométrico para em 2012 votar num homem íntegro e correto. Por isso, sou candidato a vereador em 2012. Estive tendenciado a deixar a vida publica, mas não podemos aceitar que bandidos assumam mandatos. Não vou me dobrar a bandidos que queiram denegrir a imagem de pessoas de bem”, finalizou.
