De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), a suposta máfia da merenda em São Paulo já pagou R$ 100 milhões em propina a funcionários municipais desde 2001, quando o esquema teria sido desenvolvido na capital. Ao todo, porém, mais de R$ 280 milhões teriam sido movimentados em notas frias, em 57 cidades e dois governos estaduais. O cálculo foi feito a partir de documentos apreendidos em ações realizadas pela promotoria e pelas polícias Civil e Federal nas sedes das empresas investigadas e, em alguns casos, nas residências dos suspeitos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Na lista de documentos apreendidos, há planilhas de pagamento que indicam o porcentual cobrado pelos servidores sobre o valor do contrato. "Em São Paulo, a propina representa até 10% do preço firmado com a Prefeitura para a oferta do serviço", explica o promotor de Justiça Silvio Marques. No interior do Estado, há relatos de que as remessas eram entregues diretamente a prefeitos. O promotor afirma ainda que "os servidores que facilitaram o esquema serão processados por improbidade administrativa." Uma das principais provas do MPE são sete depoimentos dados por um empresário que fez acordo de delação premiada. A ação pode citar, além do prefeito Gilberto Kassab (PSD), os ex-prefeitos José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PT) e pelo menos dois secretários municipais. Ao jornal, Marta afirmou que não ia comentar o caso. Serra não respondeu e Kassab disse, por meio de sua assessoria, que colabora com as investigações. Três anos depois do início das investigações do MPE, pressionada pelo risco de ser processada por uso indevido do dinheiro público, a gestão Kassab está adotando um novo modelo para a merenda escolar. A "merenda mista" tem refeições produzidas com alimentos comprados pelo município e preparados por funcionários terceirizados. O teste é feito há dois meses em 140 escolas da rede municipal na região de Pirituba, zona norte.