O governo do Estado do Rio vai oferecer R$ 200 mil de indenização à família do menino Juan Moraes, 11 anos, morto após troca de tiros entre policiais e traficantes na favela Danon, em Nova Iguaçu, em junho deste ano. A informação foi confirmada pela assessoria do governo.
Como a família de Juan encontra-se no programa de proteção a testemunhas, não há informações sobre a data em que o dinheiro será liberado, caso a família aceite a indenização.
Na última sexta-feira, o juiz Márcio Alexandre Pacheco da Silva, da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, decretou a prisão dos policiais militares envolvidos na morte do menino Juan, e Igor de Souza Afonso, no dia 20 de junho. Outros dois jovens foram baleados. O corpo de Juan foi achado 10 dias depois em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense.
Os PMs Isaías Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva são acusados de dois homicídios duplamente qualificados e duas tentativas de homicídio duplamente qualificado, com dois agravantes: uma das vítimas era menor e abuso de poder.
Segundo as acusações, Ubirani e Rubens participaram do crime dando cobertura aos colegas. Para o Ministério Público, responsável por oferecer a denúncia à Justiça, a prisão preventiva "é necessária porque o povo brasileiro exige respostas e não aceita que seus cidadãos sejam mortos sem qualquer chance de defesa por agentes públicos que agem ao arrepio da lei quando deveriam lhes proteger e que ainda recebem vencimentos pagos por todos".
Foi pedido ainda que o Instituto Médico-Legal apresente em 72 horas os originais dos laudos de necropsia e DNA de Juan - como foi encontrada apenas ossada, a identificação só foi possível através de material genético. Foi determinado também que operadoras de telefonia informem dados cadastrais de quem entrou em contato inúmeras vezes com os denunciados na hora do crime.
O MP pediu arquivamento do processo de Wanderson dos Santos de Assis, baleado no confronto e apontado pelos PMs como traficante, pois seu envolvimento com o crime não foi provado. O órgão determinou que a Corregedoria Geral Unificada apure a responsabilidade do delegado da 56ªDP (Comendador Soares) na época, Claudio Nascimento, que registrou o fato como auto de resistência. Para o MP, há indícios de que os PMs que foram em apoio participaram do crime, incluindo a ocultação do corpo de Juan. O fato será apurado em novo inquérito.