O porta-voz do governo espanhol, José Blanco, afirmou nesta quarta-feira que o Executivo estima arrecadar cerca de 1 bilhão de euros extras com a volta da cobrança de imposto sobre o patrimônio, prevista para ser aprovada na sexta-feira pelo Conselho de Ministros, segundo o jornal "El País".
Blanco disse ainda que cerca de 90 mil pessoas serão afetadas pela medida, exercida sobre quem tem um patrimônio que ultrapasse o valor de 1 milhão de euros.
Esse tipo de imposto, de acordo com o veículo, deixou de existir no país em 2007, quando quase um milhão de pessoas foram tributadas, uma vez que a taxação valia para quem tinha mais de 108 mil euros de patrimônio após descontadas as dívidas. A taxa paga por 94 mil delas era com base em valores acima de 1 milhão de euros.
Segundo cálculos do governo, a média da contribuição de cada pessoa afetada pela volta do imposto deve ser de 11 mil euros.
Para o porta-voz, a volta da taxação sobre o patrimônio é uma medida equitativa e necessária devido à situação da Espanha, que periga ser contagiada pela crise da zona do euro.
"Quem mais de 30 ou 40 milhões de euros pode bem contribuir em um momento em que o país necessita", afirmou.
PREOCUPAÇÃO
Espanha e Itália estão "fazendo muito" para tentar escapar da crise da zona do euro, mas, segundo um membro do alto escalão do FMI (Fundo Monetário Internacional), os países vão precisar de apoio internacional para cumprir a missão.
Durante uma conferência nesta quarta-feira, Arrigo Sadun, representante do FMI para países como Itália e Grécia, afirmou também que o pacote de austeridade italiano, aprovado hoje, é desafiador mas realístico.
Contribuindo com a desconfiança em relação à capacidade da zona do euro em superar a crise pela qual alguns de seus países passam, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito de cinco comunidades autônomas da Espanha nesta quarta-feira.
As notas de Andalucía, Cataluña, Valencia, Murcia e Canarias foram reduzidas por causa de deficit excessivos, de acordo com o jornal espanhol "El País". A agência colocou mais dez regiões em perspectiva negativa --sinalizando que mais comunidades podem ser afetadas.