Subiu para oito o número de cidades que decretaram estado de calamidade pública após as chuvas que atingiram o estado de Santa Catarina na semana passada, divulgou neste domingo (11) a Defesa Civil do estado. No total, foram quase 1 milhão de afetados, 929,9 mil, em 91 municípios - muitos deles sofreram desabamentos, enchentes e tiveram casas completamente "engolidas" pelas águas.
Os municípios com o decreto são Agronômica, Brusque, Rio do Sul, Ituporanga, Aurora e Presidente Getúlio, Laurentino e Lontras. Outras 36 cidades estão em situação de emergência e 86 em notificação preliminar de desastre.
Moradores trabalham na limpeza e resgatam pertences de suas casas em região alagada pelas chuvas no bairro de Canoas, na cidade do Rio do Sul, em Santa Catarina, neste domingo (11) (Foto: Alexandro Auler/AE)Moradores trabalham na limpeza e resgatam pertences de suas casas em região alagada pelas chuvas no bairro de Canoas, na cidade do Rio do Sul, em Santa Catarina, neste domingo (11) (Foto: Alexandro Auler/AE)
O número de desalojados, que estava em 167 mil na noite de sábado, caiu para 156,4 mil neste domingo. Até as 13h deste domingo, foram contabilizados 3 mortos, 3 feridos e 122 enfermos.
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O governo do estado liberou mais R$ 2 milhões do fundo de Defesa Civil para compra de produtos que atendem as necessidades emergenciais da população. Foram liberados R$ 1,8 milhão para aquisição de alimentos, água, colchões, cobertores, roupa de cama, fraldas, material de higiene e de limpeza. Os itens serão encaminhados para as regiões atingidas pela enchente.
No sábado, o governo já havia liberado, como recurso imediato, R$ 10 milhões para compras de emergência e limpeza dos 91 municípios atingidos pelas chuvas nos últimos dias.
Mortes
Oficialmente, contudo, apenas dois mortos foram confirmados pelo órgão: um homem de 65 anos morto na quinta-feira (8), em Guabiruba, e outro de 50 anos, que morreu afogado em Itajaí neste sábado (10).
Um terceiro homem, porém, morreu após ser atingido por uma descarga elétrica na sexta-feira (9), enquanto remava em um barco em Rio do Sul, um dos seis municípios atualmente em estado de calamidade pública. De acordo com o protocolo da Defesa Civil, essa morte só será confirmada após a identificação do corpo, que ainda não pôde ser feita porque as águas no local ainda estão altas e a área está energizada por causa da descarga elétrica.
Sistema de monitoramento
Depois das enchentes que atingiram a região em 2008, a Defesa Civil catarinense desenhou um sistema de monitoramento para lidar com esse tipo de desastre natural. Veja o número oficial de pessoas afetadas, segundo atualização feita pelo órgão às 14h deste domingo:
Desalojados* Desabrigados** Doentes Feridos Mortos*** Total de afetados
156.465
14.825
122 3 2 929.927
* Pessoas obrigadas a sair de casa e atualmente alojadas por amigos ou parentes
** Pessoas obrigadas a sair de casa e atualmente alojadas em abrigos do governo
*** Mortes confirmadas oficialmente pela Defesa Civil (um terceiro corpo ainda não foi identificado)
A partir das 18h de sábado, o rio Itajaí-Açu já havia baixado para níveis dentro do limite máximo de capacidade. Ele chegou a subir 12 metros e a inundar ruas de Blumenau a uma altura de até 1,5 metro. Foi o caso da Vila Germânica, local onde acontece todos os anos a Oktoberfest. A edição de 2011 da festa está programada para acontecer entre 6 e 23 de outubro.
Também em Blumenau, um deslizamento de terra na quinta-feira (9) atingiu casas que, durante as chuvas de 2008, haviam permanecido intactas. O deslizamento começou por volta das 17h e só foi terminar na madrugada da sexta-feira (9), à 1h.
Depois de três dias de chuvas intensas, porém, os alagamentos começaram a diminuir no município.
Apesar dos estragos, a Defesa Civil de Santa Catarina pediu que a população de outros estados do Brasil evitem enviar doações à região. Por enquanto, não há campanha para receber alimentos, roupas, objetos de higiene e colchões porque a maioria das pessoas está isolada.
A Defesa Civil catarinense afirmou que os resgates estão sendo feitos por helicópteros e que veículos já estão a postos para transportar água e cestas básicas por terra até os locais afetados, assim que as águas baixarem.