Os russos têm lembrado nos últimos dias com nostalgia o glorioso passado de sua indústria aeronáutica, quando todos percebem depois da morte de 43 pessoas na última quarta-feira que as tragédias aéreas voltaram a ser frequentes demais no país.
Nesse último acidente envolvendo um Yak-42, que caiu minutos após decolar, duas pessoas sobreviveram, o mais recente episódio de uma série de casos que começaram em junho.
Em 21 de junho, um voo procedente de Moscou com 52 pessoas a bordo também caiu ao aproximar-se do aeroporto de Petrozavodsk (capital da região de Karelia), causando 47 mortos.
Cerca de 20 dias depois, um An-24 teve o mesmo fim quando pousava no rio Obi com 37 pessoas a bordo, dos quais sete morreram.
"O badalar desses sinos se ouviam há muito tempo. Todos já estavam avisados", escreveu no dia seguinte a esse acidente um colunista do popular jornal Moskovski Komsomolets, para acusar em seu artigo os funcionários do Governo de desatender e "deixar correr" a preocupante situação da aviação civil russa.
Aviões velhos, alguns de fabricação soviética; pilotos e técnicos inexperientes e mal pagos, companhias aéreas irresponsáveis que só pensam em ganhar dinheiro economizando custos, déficit de pilotos e engenheiros: esta é a realidade da aviação civil russa que reconhecem as autoridades.
Ainda são desconhecidas as causas do acidente da última quarta-feira, embora os relatórios preliminares tratem de atribuir a responsabilidade ao tranquilizador "fator humano", mas as próprias autoridades se contradizem sobre o assunto.
A Inspeção de Transportes da Rússia (ITR) proibiu no sábado passado a decolagem de dois voos que seriam realizados com o mesmo modelo de avião (Yak-42) que caiu em Yaroslavl.
A companhia Yak Service, cuja aeronave caiu na quarta-feira, iria da Turquia para Moscou com uma peça no motor da aeronave que havia superado o prazo legal de uso, segundo a agência Interfax.
Outro Yak-42, da companhia Izhavia, não conseguiu sair do aeroporto moscovita de Domodedovo com destino a Mahatchkala (república russa do Daguestão), porque "a revisão da aeronave revelou falhas que poderiam influenciar na segurança dos voos", indicou o porta-voz do ITR, Sergei Romanchev.
Com este panorama, o Governo russo se viu obrigado a tomar medidas drásticas para melhorar a situação ao menos para dar aparência de que trabalha nessa direção.
Neste domingo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, exigiu um pacote de medidas urgentes para evitar novos acidentes aéreos.
O máximo líder russo quer ter pronta uma lei que permita suspender licenças de voo às companhias que violem as leis de aviação civil, sem necessidade de comparecer à justiça.
O Kremlin, de fato, manifestou sua intenção de reduzir o número de companhias aéreas a menos de dez.
"Tudo indica que ficarão entre cinco e sete grandes companhias, capazes de cobrir 90% dos voos", explicou no sábado em entrevista ao canal de televisão Rossiya o vice-ministro de Transportes da Rússia, Sergei Okulov.
Além disso, Medvedev colocou uma data limite, 1º de fevereiro de 2012, para aprovação de um programa de subvenções a fim de que as companhias possam renovar seu parque de aviões, já seja com aeronaves de fabricação nacional e estrangeira.
O presidente russo mandou habilitar todos os equipamentos com tecnologias de aviso de colisão e outras que ajudem a melhorar a segurança dos voos.