Um dia após o Banco Central (BC) cortar inesperadamente em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o futuro dos juros no Brasil dependerá do cenário externo.
"Dependendo da conjuntura da economia internacional, nós teremos aumento ou diminuição (da taxa de juros)", disse Dilma em entrevista a rádios de Belo Horizonte. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o juro básico a 12% ao ano.
Na terça-feira, o governo ampliou em R$ 10 bilhões a meta de superávit primário para 2011. Tanto a presidente, quanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmaram que o aumento da economia para o pagamento de juros da dívida permitiria uma queda da Selic.
O corte
O Copom anunciou na noite daa quarta-feira a redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual. A decisão, sem viés, veio após cinco votos a favor da queda e dois votos pela manutenção da taxa. Era praticamente consenso entre os analistas econômicos que o Copom manteria a Selic.
"Reavaliando o cenário internacional, o Copom considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos", afirmou o Copom em nota distribuída após a reunião.
Nas cinco reuniões que a autoridade monetária já havia feito no ano, o Copom tinha optado por alta nos juros: em janeiro (de 10,75% para 11,25%), em março (para 11,75%), em abril (para 12%), em junho (para 12,25%) e em julho (para 12,5%).