O presidente cubano, Raúl Castro, tem demonstrado crescente impaciência nos últimos meses com a lentidão na implementação de suas reformas econômicas, que ele atribui à resistência a mudanças e à burocracia. Em recentes aparições públicas ele acusou instâncias do governo de indolência, corrupção, negligência e rigidez ideológica, e tem reiteradamente lhes pedido que rejeitem velhos dogmas revolucionários e incorporem novas maneiras de pensar.

"Vamos limpar nossas cabeças de bobagens de todo o tipo. Não se esqueçam que a primeira década do século 21 já passou, e agora é a hora", disse Raúl Castro, de um jeito áspero, à Assembleia Nacional, em 1o de agosto. As mais de 300 reformas adotadas por Castro, das quais algumas já estão em vigor, vão liberalizar a cambaleante economia cubana, de estilo soviético, por darem maior ênfase à iniciativa privada, reduzir subsídios, descentralizar o governo e cortar 1 milhão de pessoas da folha de pagamento estatal.

A meta é assegurar o futuro do comunismo cubano depois que ele e sua idosa equipe de governo não estiverem mais no poder. Embora Raúl Castro tenha aconselhado paciência na implementação das mudanças, ele disse à Assembleia Nacional que os problemas da economia mundial requerem melhorias mais rápidas.

"O maior obstáculo que enfrentamos... é a barreira psicológica formada pela inércia, inflexibilidade, pretensão ou padrão duplo, indiferença e insensibilidade", disse. Ele tem falado sobre esses temas desde que subiu ao poder após seu irmão, Fidel Castro, ter ficado doente, em julho de 2006.