Um juiz de Nova York arquivou na terça-feira o processo criminal contra Dominique Strauss-Kahn, atendendo à solicitação de promotores que colocaram em dúvida a credibilidade da mulher que o acusava de violência sexual. Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, agora está liberado para tentar reconstruir sua carreira política na França.

Strauss-Kahn, até então considerado o favorito na eleição presidencial de 2012 na França, foi detido em 14 de maio dentro de um avião que o levaria de Nova York a Paris, depois de ser acusado de estupro pela camareira Nafissatou Diallo. Ele deixou o cargo no FMI dias depois, e abandonou a pré-candidatura presidencial pelo Partido Socialista.

Na terça-feira, Strauss-Kahn deixou o tribunal sorridente, ao lado da esposa, Anne Sinclair, e disse que sua vida havia se transformado em um "pesadelo".

"Estou ansioso por voltar ao meu país, mas antes tenho alguns assuntinhos a tratar. Vou discutir isso (depois) em mais profundidade", afirmou ele a jornalistas, agradecendo as pessoas que acreditaram na sua inocência, na França e nos EUA.

O juiz Michael Obus, da Suprema Corte do Estado de Nova York, inicialmente encaminhou o caso a um recurso de emergência. Em apenas duas horas, o tribunal de apelações arquivou definitivamente o pedido da acusação para nomear um promotor especial no caso. Strauss-Kahn agora fica livre para regressar à França.

Os promotores da procuradoria do distrito de Manhattan explicaram na segunda-feira que perderam a confiança em Diallo, imigrante de 32 anos da Guiné, que alegou que Strauss-Kahn a havia atacado no quarto de um hotel de luxo e a obrigado a realizar sexo oral.

Apesar de seu depoimento do ataque continuar firme, Diallo contou uma série de mentiras sobre seu passado e sobre o que aconteceu imediatamente após o incidente, supostamente ocorrido em uma suíte de 3 mil dólares, no hotel Sofitel em Nova York, o que minou sua credibilidade, disseram promotores.

As provas materiais não foram capazes de provar a falta de consentimento, deixando o caso na dependência da confiabilidade da acusadora. "Se não acreditamos nela além de uma dúvida razoável, não podemos pedir a um júri que acredite", disseram os promotores.

Benjamin Brafman, advogado de Strauss-Kahn, disse que o promotor Cyrus Vance foi "corajoso" por pedir o arquivamento. Ele admitiu que seu cliente "teve talvez um comportamento inapropriado", mas que "isso é muito diferente de um crime".

Já o advogado de Diallo, Kenneth Thompson, disse a jornalistas que a decisão teria sido diferente se o réu fosse um motorista de ônibus ou operário da construção civil. "O promotor Vace abandonou uma mulher inocente (...), e ao fazer isso abandonou outras mulheres que serão estupradas no futuro", disse.

Apesar de estar liberado para voltar à França, Strauss-Kahn terá dificuldades para recuperar sua imagem. Líderes socialistas franceses disseram que sua experiência em temas econômicos seria bem aproveitada, mas uma pesquisa realizada em julho mostrou que dois terços dos franceses não o querem como candidato na disputa contra o presidente Nicolas Sarkozy, em abril. Para que ele possa disputar a eleição primária socialista em outubro, a direção partidária precisaria abrir uma exceção, já que o prazo para a inscrição já se encerrou.