Os dirigentes da Confederação dos Estudantes do Chile (Confech), que agrupa 25 entidades universitárias, entregaram hoje na sede do governo chileno, o Palácio La Moneda, uma carta ao presidente Sebastián Piñera pedindo que ele se pronuncie sobre 12 pontos chaves do setor educacional. As informações são da agência Ansa.
A partir da resposta do mandatário a organização decidirá se deve dialogar com o Poder Executivo para tentar encontrar uma solução para as demandas estudantis que vêm motivando as mobilizações, que já duram cerca de três meses no país.
Para a presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, o documento é "um pedido" ao chefe de Estado porque "queremos saber se ele realmente vai ter vontade de entender a educação como um direito social universal e não como um bem de consumo".
Entre os pontos listados, os estudantes pedem que Piñera se pronuncie sobre a eliminação do banco privado no processo de financiamento da educação, o fim do lucro no sistema educacional e a garantia de que as instituições irão promover uma educação de qualidade.
O presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) do Chile, o socialista Arturo Martínez, por sua vez, ratificou uma greve nacional de 48 horas no país, declarando que a mobilização começa hoje por meio de "panelaços" que terão início às 20h (21h no horário de Brasília).
Em meio à onda de protestos estudantis, os trabalhadores chilenos organizaram uma greve geral para pedir uma mudança na legislação trabalhista e uma reforma tributária.
Piñera disse sentir dores ao "ver como alguns trabalham para que o Chile se paralise" e que no La Moneda está sendo estudada a aplicação da Lei de Segurança Interior do Estado. A norma considera crime de desacato atos como injúria, calúnia e difamação quando prestados contra altas autoridades, como o presidente e seus ministros.
Como resposta, Martinez afirmou que o governo começou a ameaçar e criar, "de forma desesperada", um clima de criminalização referente à mobilização.