Enquanto vê a rápida aproximação rebelde em direção à capital da Líbia, Muammar Gaddafi pediu neste domingo (21) a todos os líbios, em discurso à nação, que "se unam à batalha para impedir que o inimigo domine Trípoli".
Em seu segundo pronunciamento público em menos de 24 horas, Gaddafi ordenou a abertura dos depósitos de armas e arsenais de Trípoli aos cidadãos para que a população defenda a capital.
- Abri os armazéns de armas, entreguem-nos às massas. Onde estão os religiosos que sempre estão na primeira fila e buscam o martírio? Que saiam de suas casas para limpar a Líbia dos ratos!
Em seu discurso, no qual falou somente da defesa de Trípoli - e não do resto do país -, Gaddafi pediu aos "homens e mulheres, aos comitês revolucionários, que saiam batalha em Tayura", bairro oriental de Trípoli que, segundo o movimento insurgente, já foi dominado pelos rebeldes.
Penitenciárias também foram abertas para libertar presos políticos e fazer com que estes se unam à batalha por Trípoli.
Confrontos chegam ao centro de Trípoli
As últimas informações da oposição falam de um rápido avanço dos rebeldes sobre a capital, apoiados pelos bombardeios da Otan (aliança militar do Ocidente).
Segundo a rede de televisão Al Jazeera, violentos confrontos já ocorrem entre os rebeldes e as forças leais ao ditador líbio no centro da capital, Trípoli. A emissora indicou ainda que os bairros dos arredores da capital já foram "libertados" e que as forças do regime se retiraram para Bab al Azizia, onde fica o "palácio-bunker" de Gaddafi.
Aviões da Otan bombardearam o quartel-general do líder e as bombas também atingiram o aeroporto de Maitika, segundo a Al Jazeera.
Outro ponto da capital que sofreu ataque foi o hotel onde ficam os membros da mídia internacional, relatou um correspondente da agência de notícias Reuters.
“Dez dias para o fim de Gaddafi”, diz ex- braço-direito
A emissora anunciou também a prisão do coronel Khituni, considerado um dos principais militares leais ao regime de Gaddafi, além de oito de seus colaboradores.
O antigo braço-direito de Muammar Gaddafi, Abdel Salam Jalloud, que desertou para apoiar os rebeldes da Líbia, disse neste domingo que o ditador seria derrubado dentro de dez dias, no máximo.
Falando à imprensa italiana, Jalloud afirmou que o regime seria derrotado "dentro de uma semana, o mais tardar dez dias, talvez até menos".
Jalloud foi membro da junta que deu um golpe em 1969 trazendo Gaddafi ao poder, e era visto como o segundo no comando do país norte-africano.