O advogado da família da juíza Patrícia Acioli, Técio Lins e Silva, reafirmou nesta quarta-feira que a magistrada não queria a suspensão da escolta. De acordo com ele, a juíza enviou diversas correspondências ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos últimos anos pedindo reforço na segurança. Ela foi assassinada com 21 tiros na semana passada, quando chegada em casa, em Niterói.

Em um dos documentos citados pelo advogado, de fevereiro de 2007, a juíza escreve ao diretor de segurança do Tribunal de Justiça pedindo a volta de um ex-integrante da escolta, e a vinda de um quarto policial. Patrícia cita no ofício que a filha caçula estava em tratamento psicológico pela convivência com pessoas armadas no dia a dia.

A juíza escreveu ainda, cinco meses depois, ao juiz Mário Mazza, auxiliar do então presidente do Tribunal de Kustiça, desembargador Murta Ribeiro, e questiona a decisão de reduzir sua proteção a apenas um policial por dia. "Entendendo que a questão envolvendo a minha vida é algo muito importante, não entendi o tratamento que foi dado ao caso", disse.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos
A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.