O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, deixa o país nesta semana para assumir na segunda-feira como subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, o terceiro mais alto posto no Departamento de Estado dos EUA. Shannon assume o cargo a pedido da secretária de Estado, Hillary Clinton, de forma interina, até que a indicada Wendy Sherman seja confirmada pelo Senado.
Mas a ausência do embaixador do país pode se prolongar por meses, porque Wendy enfrenta grande resistência entre legisladores republicanos, que podem ser opor a sua confirmação. O próprio Shannon, quando foi indicado para assumir a embaixada em Brasília, demorou 7 meses para ser confirmado pelo Senado americano.
"Acredito que vai ser um período curto, não mais de dois meses, minha ausência será apenas temporária", disse Shannon à Folha. Segundo Shannon, ele foi convocado porque o posto não podia ficar vazio nessa época de muito trabalho, nas vésperas da Assembleia Geral da ONU, que se realiza no fim de setembro.
Todd Chapman, segundo homem da embaixada dos EUA em Brasília, assumirá como encarregado de negócios na ausência do embaixador.
Antes de Wendy ser indicada para o cargo, o nome do embaixador havia sido seguidamente cogitado para o posto de subsecretário.
Antes de assumir como embaixador, Shannon foi secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental, mais alto cargo diplomático para a região, de 2005 a 2009. Ele já havia servido no Brasil e um de seus filhos nasceu em Brasília.
Como subsecretário para assuntos políticos, Shannon vai supervisionar todos os escritórios regionais do Departamento de Estado (inclusive seu antigo posto) e vai administrar questões regionais e bilaterais.
A porta-voz do departamento de Estado Victoria Nuland disse à revista "Foreign Policy" que o departamento deseja que Shannon retorne para o Brasil "assim que Wendy Sherman for confirmada". "Esperamos que sejam apenas algumas semanas".
Mas há resistência entre republicanos por causa da atuação de Sherman quando ela era conselheira da então secretária de Estado Madeleine Albright para questões de Coreia do Norte. Alguns republicanos se opõem às iniciativas do governo Obama de aproximação com a Coreia do Norte e podem usar o bloqueio à indicação como arma.