Uma semana após a morte do filho Pedro Gabriel, de apenas 4 anos, baleado na cabeça durante um assalto no sertão alagoano, o advogado João Firmo Soares, ainda em meio a dor da perda, desabafou e contou à reportagem do CadaMinuto que o assassinato foi planejado e que ele seria o alvo do bando.

João Firmo, que é conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), explicou que seguia com o filho de Santana do Ipanema para almoçar em Olho D’Água das Flores, quando, na estrada, parou para prestar socorro a um amigo que havia sido assaltado e teve a motocicleta levada por dois homens. “Parei o carro e ainda cheguei a ver os bandidos. Foi então que pedi para o rapaz entrar e segui para Olho D’Água das Flores, onde iríamos avisar à polícia, para que pudessem prender a dupla”.

Mas, no caminho, João Firmo cruzou com os assaltantes, que em motos, efetuaram vários disparos contra o carro do advogado. “A intenção deles era me matar. O primeiro tiro acabou acertando o ombro, já o segundo acabou batendo no encosto de cabeça do carro, resvalou e atingiu meu filho que estava deitado”.

Para o advogado, o assalto foi apenas uma simulação para que pudessem dar outra conotação ao crime. E existem motivos para que João Firmo aponte uma outra linha de investigação. É que a traição de uma ex-esposa com o próprio sobrinho teria tomado proporções ainda maiores.

“Eu era casado e ela passou 14 anos me traindo com este sobrinho. Há seis anos descobri e me separei. Ela saiu de casa e foi viver com ele. Meu patrimônio foi o motivo para brigas e tenho certeza que ele pode estar por trás deste atentado e que ocasionou a morte do meu filho”, desabafou o advogado, não querendo revelar os nomes.

O sobrinho de Firmo é Major da Polícia Militar e, segundo ele, já trabalhou no Gabinete Militar do Governo. “Eu o considero como sendo o ‘2º Cavalcanti’ de Alagoas”, disse o advogado, fazendo referência ao Coronel Cavalcante, que está preso por ter chefiado durante muito tempo a chamada ‘Gangue Fardada’, uma quadrilha formada por militares e que cometeu vários crimes de mando no Estado, dentre eles, o assassinato do tributarista Sílvio Viana.

João Firmo disse ainda que todos na cidade sabem da história e que várias pessoas já foram ameaçadas. Segundo ele, fatos estranhos aconteceram durante os últimos 60 dias, a exemplo de disparos efetuados em uma propriedade dele.

O advogado está com depoimento marcado para a próxima quarta-feira (17), onde irá apresentar ao delegado responsável pelo caso essa linha de investigação. “Não me conformo com a morte do meu filho e quero justiça”, finalizou.

Criança não resistiu aos ferimentos

Ao perceber que o filho havia sido atingido, João Firmo retornou para Santana, onde o menor deu entrada num hospital da cidade. A criança chegou a ser transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em um helicóptero do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em estado gravíssimo.

Pedro Gabriel chegou a passar por procedimento cirúrgico, ficou na ala vermelha do hospital, mas apesar dos esforços da equipe médica, acabou não resistindo aos ferimentos e faleceu. João Firmo, que foi atingido no ombro esquerdo, recebeu atendimento no Hospital Clodolfo Rodrigues, em Santana, e liberado em seguida. 

Prisão de um assaltante

Um dos assaltantes, Lucas Matheus Andrade Vieira, 22 anos, foi detido no dia seguinte ao assalto. Já o outro, identificado como ‘Cabeção’ ou ‘Teteu’, continua foragido. De acordo com a polícia, Lucas Matheus responde a cinco processos – roubo, furto e receptação, e passou nove meses na cadeião de São Sebastião.

O delegado Rodrigo Cavalcante já solicitou à Justiça a prisão preventiva dos criminosos.