O grupo islâmico Irmandade Muçulmana afirmou que os princípios supraconstitucionais, propostos pelo governante Conselho Supremo das Forças Armadas egípcias, "usurpam o direito do povo" e tentam contentar "uma minoria". "Afirmamos em repetidas ocasiões que o povo é quem deve decidir a Constituição (...) por isso que esse passo (de impor princípios que regerão a Carta Magna) é considerado uma usurpação do direito do povo", afirmaram lideranças da Irmandade Muçulmana.
Para a Irmandade Muçulmana, "a persistência em aplicar esses princípios (supra-constitucionais) mostra o apoio (da junta militar) a uma minoria", em alusão aos partidos e grupos juvenis liberais.
Estes grupos têm medo que a Irmandade Muçulmana consiga conquistar grande número de votos nas próximas eleições legislativas, cuja data ainda não está fixada, e domine o novo Parlamento e redija uma Carta Magna islâmica e não laica.
"Esses assuntos são de direito exclusivo do povo, por isso que nenhum conselho (militar), partido ou Governo tem poderes para adotar esse passo", indicou o grupo islâmico, que acredita que o Parlamento é quem deve redigir a Constituição sem nenhum tipo de princípios supraconstitucionais.
Na sua opinião, os grupos liberais tentam "impor sua tutela ao povo e não levar em conta a vontade expressa durante o plebiscito (constitucional) de março passado".
Nessa votação a maioria votou a favor de emendas à Constituição, o que coincidia com o apoiado pela Irmandade Muçulmana e os grupos salafistas.
Se aplicadas estas emendas, as eleições legislativas se realizariam na data prevista, e o Parlamento elaboraria uma nova Carta Magna.
Por outro lado, os partidos e forças políticas de tendência liberal, laica e esquerdista instaram a votar contra com a finalidade que se redigisse primeiro uma Constituição nova e o pleito fosse atrasado.