Voluntários armados com vassouras limparam nesta quarta-feira as ruas do centro de Manchester para retirar vidros quebrados e outros destroços, depois que jovens encapuzados fizeram arruaças durante a noite na cidade. Eles quebraram vidros, incendiaram lojas e saquearam empresas.
"Recebemos a orientação do Conselho (municipal) de recolhermos qualquer coisa que pudesse ser usada como munição esta noite, como tijolos", disse a estudante Nadia Ghani, 24 anos, uma entre as centenas de voluntários que se apresentaram para a operação de limpeza da terceira maior cidade da Grã-Bretanha.
As lojas da principal rua comercial foram protegidas com pranchas de madeira e fechadas. Joalherias de redes como a Swarovski e Links of London também baixaram as portas. Os saques repetiram a violência que agitou Londres por três noites seguidas.
Funcionários da Links disseram estar muito abalados para falar, mas podiam ser vistos removendo cacos de vidro das vitrines destruídas e procurando peças não levadas durante os saques. As lojas de telefones T-Mobile e 3 Store foram destruídas e esvaziadas por saqueadores.
Empregados da T-Mobile faziam um levantamento dos danos enquanto uma chuva torrencial inundava a entrada da loja, cuja porta foi derrubada pelos saqueadores.
Violência no Reino Unido
No início da noite de sábado, 6 de agosto, manifestantes iniciaram protestos em Nottingham, no norte de Londres, motivados pelo assassinato de um homem de 29 anos e pai de família, 2 dias antes, pela polícia. Os protestos logo se desenvolveram em uma onda de violência que se arrastou noite adentro, quando grupos depredaram lojas e incendiaram carros, dando início ao pior episódio de violência urbana da história recente londrina.
Os tumultos diminuíram na manhã de domingo, mas ganharam nova força nos dias seguintes, irradiando para diversos bairros londrinos e até mesmo para outras cidades, como Manchester, Liverpool e Birmingham. A intensidade da violência levou centenas de policiais às ruas para conter os levantes. O premiê britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johson, condenaram os tumultos, pelos quais mais de 650 pessoas já foram presas e uma morreu.