Os preços do barril de petróleo se recuperaram nesta quarta-feira (10) em Londres e em Nova York, indiferentes aos fortes recuos apresentados pelos mercados de ações, com os investidores reagindo ao anúncio de uma queda vertiginosa e inesperada das reservas da commodity nos Estados Unidos.
No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do WTI para entrega em setembro terminou cotado a US$ 82,89, alta de US$ 3,59 em relação à terça-feira.
No IntercontinentalExchange de Londres, o barril de Brent do mar do Norte com igual vencimento avançou US$ 4,11, fechando a US$ 106,68.
"Certamente nós devemos nos preocupar com eventuais quedas da nota da dívida de França e Itália, pois o panorama econômico piorou nas últimas semanas, mas alcançamos um patamar no qual as vendas foram exageradas", explicou Rich Ilczyszyn, da MF Global.
A forte alta do mercado petroleiro seguiu na contramão da nova queda dos mercados de ações registrada nesta quarta-feira, em especial nos principais pregões da Europa.
Esses mercados foram arrastados pela queda das ações de bancos após terem sido reavivados os temores sobre a Grécia e rumores - desmentidos - do rebaixamento da nota da dívida da França.
Esses temores junto aos de uma desaceleração do crescimento, e até mesmo de um retorno da recessão, também pesaram sobre as bolsas dos Estados Unidos.
Para Rich Ilczyszyn, os investidores buscam um preço "base" no mercado petroleiro.
"As vendas foram exageradas nos últimos dias", concordou Tom Bentz, do BNP Paribas. O barril de WTI chegou a ficar abaixo dos US$ 76 nas operações da Ásia, em meio à tormenta dos mercados financeiros.
Outro fator de apoio para o mercado petroleiro nesta quarta-feira foi a queda espetacular e inesperada das reservas de petróleo na semana passada nos Estados Unidos, que segundo o informe do Departamento de Energia perderam 5,2 milhões de barris, quando os analistas esperavam por um incremento de 1,1 milhão de barris.
A cifra, no entanto, saiu em linha com as estimativas da API, grupo de petroleiros americanos, "dando credibilidade" aos dados, estimou Rich Ilczyszyn.