A australiana Nancy Wake, a mulher mais condecorada pelos aliados por sua atuação na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), morreu neste domingo (7) em Londres aos 98 anos, informou a imprensa local.
Nascida em 1912 em Wellington (Nova Zelândia) e criada em Sydney (Austrália), se mudou para a França em 1932. Após a invasão do país em 1940, se uniu à Resistência para ajudar aos aliados e a centenas de judeus a escapar do regime nazista.
Wake, de origem neozelandesa, foi condecorada pela França com o maior reconhecimento militar, a Legião de Honra, por sua atividade na Resistência francesa, além de receber três medalhas da Cruz de Guerra e a Medalha da Resistencia. Também recebeu a Medalha George do Reino Unido, a Medalha da Liberdade dos Estados Unidos e, em 2006, a Insígnia RSA da Nova Zelândia.
Em 2004, foi condecorada com a Companhia da Ordem da Austrália - apesar das reservas no Exército, que alegaram que Wake não tinha servido nunca nas forças armadas australianas e que anos antes disse aos comandantes militares da Austrália que introduzissem as medalhas "onde os macacos guardam as nozes".
Wake fugiu para o Reino Unido depois que foi incluída na lista de pessoas mais procuradas pela Gestapo, que a chamava de "rata branca" por sua habilidade em fugir. Ali recebeu treinamento como espiã nas forças especiais britânicas antes de retornar para a França para trabalhar com a Resistência nos preparativos do Dia D - o desembarque das forças aliadas na Normandia (França) em junho de 1944.
Ao terminar a guerra descobriu que seu marido, o empresário francês Henri Fiocca, foi torturado e executado em 1943. Casou-se anos depois da guerra com o piloto australiano John Forward com o qual se mudou para a Austrália até que, em 2001, decidiu retornar ao Reino Unido.
A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, disse que "Nancy Wake foi uma mulher de valor excepcional", enquanto a ministra neo-zelandesa de Assuntos dos Veteranos, Judith Collins, assinalou que "o mundo perdeu uma mulher valente". De acordo com seu desejo, Wake será cremada e suas cinzas espalhadas na localidade de Montlucon (centro da França).