O caminho para um acordo da dívida dos EUA demorou muito e estava muito dividido, informou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, na tarde deste sábado (6). Na primeira declaração pública após o país ter a nota da dívida rebaixada por uma agência de classificação, o porta-voz do governo pregou que republicanos e democratas trabalhem em conjunto para fortalecer a posição fiscal e estimular o crescimento.
"É importante que nossos líderes eleitos se reúnam para fortalecer nossa economia e colocar a nossa nação em uma posição fiscal mais sólida", afirmou Carney em comunicado. "Nós temos que nos esforçar para deixar claro nossa vontade, capacidade e compromisso de trabalhar juntos para enfrentar nossos maiores desafios fiscais e econômicos".
Ele ainda defendeu a pressão de Obama para uma “grande barganha” de cortes de gastos e aumento de impostos que os republicanos e muitos colegas democratas foram contra, dizendo que teria rendido uma redução substancial do déficit, mas pediu compromisso e cooperação de todos os lados.
Carney afirmou que Obama, durante as próximas semanas, incentivaria uma comissão bipartidária encarregada de encontrar os cortes orçamentais que estão dentro do acordo "para colocar o nosso compromisso comum em uma recuperação mais forte e uma sólida trajetória fiscal acima de nossas diferenças políticas e ideológicas".
A qualificação do crédito americano de longo prazo passou da nota máxima "AAA" para "AA+", nesta sexta-feira (5), em decorrência da crescente dívida e do pesado déficit no orçamento. A redução da nota, feita pela agência de risco financeiro Standard and Poor's (S&P), é inédita na história. Os EUA tinham nota máxima desde 1917.
Repercussão
O presidente Nicolas Sarkozy irá encontrar com o primeiro-ministro britânico David Cameron neste sábado para “discutir a situação financeira”, afirmou porta-voz.
"Nós (do G7) estaremos observando cuidadosamente a evolução do que poderia acontecer na segunda-feira", disse o ministro das Finanças, François Baroin, em entrevista à rádio RTL sobre possível encontro de membros do G7. Baroin afirmou ainda que tem "total confiança na solidez da economia americana, assim como na determinação do governo para aplicar o plano (de redução do déficit) aprovado pelo Congresso esta semana".
O governo alemão se negou a comentar neste sábado o rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos. "Sem comentários", declarou um porta-voz do governo procurado pela agência de notícias AFP. Segundo fontes ligadas ao governo, Berlim considera que a melhor atitude no momento é manter o silêncio.
A agência estatal chinesa Xinhua afirmou que a China "tem todo o direito de exigir que os Estados Unidos lidem com o seu problema estrutural de dívida e garantam a segurança dos ativos da China". A agência ainda sugeriu que fosse adotava uma nova moeda global. "Uma nova moeda de reserva global, estável e segura, também pode ser uma opção para evitar uma catástrofe provocada por qualquer país individualmente."
A China é o maior detentor mundial de papéis da dívida americana.