Parentes das vítimas do fatídico 11 de setembro de 2001 encontraram um lugar para sorrir em meio a tantas lembranças com a proximidade das homenagens aos 10 anos dos ataques terroristas nos Estados Unidos. O Acampamento da América, projeto dedicado a servir as famílias que perderam entes queridos no World Trade Center e em outras ações terroristas, reúne jovens entre 15 e 20 anos em atividades que buscam compartilhar experiências, estimular o convívio em sociedade e, principalmente, criar laços de amidade que o terrorismo não pode apagar.
O acampamento de verão, organizado pela ONG Tuesday's Children, ocorre este ano em uma escola particular a cerca de 40 km de Washington. A edição 2011, com duração de oito dias, tem foco internacional e inclui campistas de oito países - recebendo, pela primeira vez, integrantes da Rússia e Sri Lanka. "É tudo simples aqui. Todo mundo é bem recebido", garante Julie Griffin, 19 anos, que perdeu o pai na maior tragédia do território americano.
No período da manhã, os participantes frequentam aulas e discussões em grupo sobre a paz e resolução de conflitos. O tema deste ano é "dignidade: como os terroristas a levaram, como recuperá-la e como incentivá-la em outras pessoas". Na parte da tarde, o espaço é reservado ao lazer e os jovens podem praticar esportes, teatro, arte, música e dança.
As atividades propostas no encontro anual são tão positivas que alguns até escolhem a resolução de conflitos como caminho para futuras carreiras. "Queria transformar minha tragédia em algo positivo", diz Caitlin Leavey, 20 anos, cujo pai, um bombeiro, morreu tentando resgatar sobreviventes nas torres gêmeas. Ela está se formando em Paz e Resolução de Conflitos na Universidade de Nova York e utiliza um colar com o nome da companhia do pai, a Ladder 15.
O diretor do conselho da Tuesday's Children, Fran Furman, explica que é delicado reunir pessoas que perderam familiares em grandes tragédias, ainda mais, quando os envolvidos são jovens. "Perder um parente com o terrorismo é diferente porque a tragédia se desenrola em público. Você é único de forma que não escolheu ser único", afirma. Segundo ele, "é muito difícil de saber como dividir experiências e se vincular a outros adolescentes".
No entanto, essa é a característica mais visível do acampamento, a facilidade com que os participantes estreitam relações. "Há essa ligação profunda", diz Leavey. "Um dos meus amigos não fala inglês, mas, ainda assim, sou capaz de me comunicar com ela e criar uma amizade duradoura. Acho isso incrível", avalia.
A sensação de companheirismo é confirmada por Mijal Tenenbaum, uma jovem de 17 anos recém-chegada da Argentina, que perdeu o pai no bombardeio a um centro judaico em Buenos Aires em 1994. "Achei que seria estranho ou desagradável o tempo todo", lembra. Ainda assim, "me senti incrível", respondeu Tenenbaum, ao chegar ao acampamento pela primeira vez no ano passado, na edição de Belfast, Irlanda do Norte.
Por outro lado, a morte do líder terrorista Osama Bin Laden estimulou reações diversas nos campistas. Segundo Monica Meehan McNamara, terapeuta familiar que trabalha no projeto, as respostas foram amplas. "Alguns ficaram felizes e queriam comemorar, enquanto outros argumentaram que outro assassinato não resolveria nada", conta.
Os organizadores estudam realizar o acampamento do ano que vem no exterior, provavelmente na Espanha. Nesse meio tempo, os campistas ficam em contato o ano interior pela internet e viajam para visitar uns aos outros.