O apoio popular aos trabalhistas noruegueses cresceu depois dos atentados de Anders Behring Breivik, que, com seu ato, curiosamente tentava impedir novas adesões ao partido do primeiro-ministro Jens Stoltenberg.
Segundo uma pesquisa realizada nos dias 29 e 30 de julho e divulgada neste domingo pelo jornal Dagbladet, o Partido Trabalhista conta com o apoio de 41,7% dos noruegueses, 11,1 pontos a mais do que em junho.
"Não é preciso ser analista político para notar o efeito sobre a simpatia da população em relação ao trabalhismo que os atentados provocaram", afirmou o cientista político Frank Aarebrot. "Quem votou nos trabalhistas nas últimas eleições e estava em dúvida, agora vão dar seu apoio ao Partido de maneira maciça", disse.
Em suas primeiras declarações em juízo, Anders Behring Breivik afirmou que queria "fazer cessar as adesões ao Partido Trabalhista". Islamófobo, lamentava que os trabalhistas tenham instaurado o que considera uma sociedade multicultural em seu país.
Tragédia na Noruega
A Noruega viveu na última sexta-feira, dia 22, a maior tragédia do país desde a Segunda Guerra Mundial. Dois atentados deixaram, até o momento, um saldo de 77 mortos. As autoridades chegaram a divulgar que 93 pessoas tinham morrido nos ataques, mas revisaram os dados e informaram um novo balanço na segunda, dia 25. Primeiro, uma bomba explodiu no centro da capital, Oslo, na região onde estão localizados vários prédios governamentais, inclusive o escritório do premiê, Jens Stoltenber. Oito pessoas morreram, mas a polícia admite que possa haver corpos não resgatados nos prédios.
A segunda tragédia aconteceu na ilha de Utoya, próxima à capital. Lá, Anders Behring Breivik, um homem de 32 anos vestido com uniforme da polícia, abriu fogo contra jovens reunidos em um acampamento de verão. Ao menos 69 morreram, a maioria pelos tiros disparados. Alguns outros morreram afogados após tentarem fugir nadando. Anders foi detido logo depois, pela polícia, e admitiu o crime. O atirador, que é ligado à extrema-direita e publicou um manifesto na internet chamando à violência contra muçulmanos e comunistas, também tem envolvimento no ataque em Oslo.