Explosões sacudiram o centro de Trípoli pela segunda noite seguida e o Reino Unido diz que semanas de bombardeio da Otan já causaram danos extensos no fortemente protegido complexo de Muammar Gaddafi.

O líder da Líbia segue agarrado ao poder, apesar de uma campanha aérea da Otan que já dura quatro meses e de um longo conflito com os rebeldes que já tomaram boa parte do país da África do Norte e exigem o fim do governo de 41 anos.

As explosões atingiram Trípoli por volta de 1 hora da manhã de domingo, um dia depois da Otan ter atacado o que ela diz que era um posto de comando militar em Trípoli.

O Major General Nick Pope, chefe de comunicações da equipe de defesa, disse que um avião da Royal Air Force atingiu as altas paredes do complexo de Gaddafi em Bab al-Aziziyah.

"Gaddafi tem se escondido do povo líbio atrás dessas paredes há décadas. O grande complexo de Bab al-Aziziyah não é apenas a sua residência pessoal, mas abriga também a principal sede do seu regime, com instalações de comando e controle e um quartel do exército", disse Pope no domingo.

Os ataques sucessivos da Otan nas últimas semanas têm causado grandes danos nas instalações militares do complexo.

EXPECTATIVAS

Enquanto a guerra se arrasta por mais tempo do que muitos previam, o Ocidente espera cada vez mais que se chegue a uma negociação que ponha um fim a ela.

O ministro do exterior de Gaddafi, Abdelati Obeidi, deixou o Cairo no domingo, depois de uma visita de três dias, sem fazer qualquer comentário.

"Obeidi se reuniu com uma série de autoridades egípcias e outras personalidades para discutir os acontecimentos mais recentes na Líbia e maneiras de resolver a crise de forma pacífica", disse um funcionário da embaixada Líbia, sem dar mais detalhes. Ele seguiu para Tunis.

O porta-voz do governo Moussa Ibrahim disse na sexta-feira que representantes líbios estavam preparados para dialogar mais com os Estados Unidos e com os rebeldes, mas que Gaddafi não pretende sair.

Ibrahim disse que altos funcionários líbios tiveram um "diálogo produtivo" com seus colegas norte-americanos na semana passada, durante um raro encontro que se seguiu ao reconhecimento do governo rebelde pelos EUA.

"Acreditamos que outras reuniões no futuro (...) ajudarão a resolver os problemas líbios", afirmou Ibrahim a repórteres em Trípoli. "Estamos dispostos a conversar mais com os norte-americanos."

LUTA DIFÍCIL

Perto do começo do mês islâmico sagrado, o Ramadã, rebeldes mal armados parecem que não conseguirão derrubar Gaddafi rapidamente.

Os rebeldes declararam avanços, mas também sofreram baixas na luta perto de Misrata e Brega.

Na quinta-feira passada, rebeldes disseram que campos minados atrasaram seu avanço em direção à Brega, que eles haviam dito anteriormente ter capturado, mas eles chegaram mais perto de Zlitan, na costa mediterrânea, a 160 quilômetros ao leste de Trípoli.

O principal hospital de Misrata disse que um homem havia sido morto e cinco feridos no domingo.

"Estamos mantendo essa posição e esperando para seguir em frente. Se Deus quiser, será em breve", disse Salim, um estudante de 21 anos de idade e voluntário rebelde.

Depoimentos de alguns sobreviventes deram a entender que poderia haver outro atirador.