O médico neurocirurgião de 34 anos, preso nesta quarta-feira em São Leopoldo (RS) - localizado a 27 km de Porto Alegre -, sob a acusação de cobranças de propina de pacientes, teria exigido pagamentos de até R$ 4 mil para realização de cirurgias pelo SUS, no Hospital Centenário. A informação é do titular da 1ª Delegacia de Polícia (DP) do município, Marco Antônio Duarte de Souza, que nesta tarde detalhou a investigação. Segundo ele, encaminhamentos para agilizar exames, que deveriam ser gratuitos, custavam de R$ 500 a R$ 400.
Além disso, alguns pacientes da instituição de saúde recebiam ofertas para que consultas ocorressem na clínica particular do acusado, em São Leopoldo, mediante o pagamento de cerca de R$ 70. "Temos uma informação concreta de que ele ofereceu uma cirurgia por R$ 4 mil. Sabemos também que o médico costumava pedir para exames corriqueiros, como tomografia ou ressonância magnética, pelo menos R$ 400", detalhou o delegado.
O neurocirurgião foi detido durante a manhã na clínica de sua propriedade, onde também ocorreram buscas para apreender computadores e documentos. Investigações indicam que desde o ano passado ele vinha exigindo pagamentos em consultas ou nos procedimentos cirúrgicos.
De acordo com Souza, menos de três horas após a prisão, inúmeras denúncias já foram encaminhadas com queixas de cobrança de propina por médicos na região de São Leopoldo. "As informações estão gotejando e vamos apurá-las. Uma nova administração assumiu recentemente o Hospital Centenário e notamos uma clara disposição para mudar as coisas", revelou o delegado.
No momento em que foi detido, o médico garantiu inocência e alegou que haveria "um mal entendido". O neurocirurgião nasceu e morava no Rio de Janeiro. A polícia ainda não soube precisar há quanto tempo ele atua no Rio Grande do Sul.