O presidente do Banco da Itália e futuro presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, advertiu nesta quarta-feira que a solvência dos Estados defendeu um corte maior dos gastos públicos no plano italiano de austeridade.

Ele acrescentou que é "indispensável" que os países ajudados pela União Europeia e pelo FMI - Grécia Irlanda e Portugal - "mantenham os esforços significativos feitos até agora em termos de redução do deficit [público]".

"Em nenhum país há alternativa a um saneamento orçamentário confiável", insistiu.

Neste sentido, Draghi pediu uma redução dos gastos públicos maior no plano de austeridade fiscal que o Parlamento italiano pretende aprovar para evitar um contágio da crise da dívida.

AJUSTES

O plano de ajuste italiano, de 40 bilhões de euros, prevê um quase equilíbrio fiscal em 2014. O governo articula um decreto que introduza a redução dos gastos públicos, além de uma lei de reforma fiscal, que permitirá aumentar a arrecadação nos próximos anos com cortes nas isenções fiscais.

O governo definiu as bases da reforma fiscal, mas as medidas medidas concretas devem ser definidas nos próximos meses.

"É preciso definir rapidamente o conteúdo das medidas suplementares destinadas a alcançar o equilíbrio orçamentário em 2014. Os mercados estão vigiando isto hoje", disse Draghi.

"Se não atuarmos igualmente em outros gastos, além dos que já estão previstos que serão reduzidos no momento, o recurso à lei de reforma fiscal para completar o plano de austeridade 2013-2014 implica um aumento de impostos", acrescentou.

Segundo o ministro italiano das Finanças, Giulio Tremonti, o plano deve ser reforçado e aprovado até sexta-feira pelo Parlamento.