Em depoimento a deputados federais, nesta quarta-feira (13), o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, se disse “constrangido” e “insatisfeito” com as denúncias que levaram a presidente Dilma Rousseff a afastá-lo do comando do órgão, responsável pelas obras em rodovias no país.
- Eu trabalho muito, diuturnamente. Foi uma surpresa ver meu nome citado nessas denúncias.
Pagot foi um dos quatro servidores do órgão afastados do cargo a pedido de Dilma após denúncias, publicadas pela revista Veja, de corrupção no Ministério dos Transportes e no Dnit.
De acordo com a publicação, havia um esquema de superfaturamento das obras, direcionamento de licitações e pagamento de propina para beneficiar o PR, que controla a pasta.
Oficialmente, Pagot repetiu que está de férias, e que por isso não pode ser afastado, apenas exonerado (demitido). A decisão final, disse, ainda cabe a Dilma.
Em audiência na Câmara, ele voltou a negar que o órgão sofra influência de partidos e pressão de políticos para decidir sobre obras em rodovias executadas pelo órgão.
- O Dnit não é instrumento de partido para fazer captação. O Dnit não trabalha nessa linha de atuação. [...] Se tivesse agentes políticos interferindo em qualquer uma dessas etapas de funcionamento, que mandassem para mim a responsabilidade para tomar as providências.
Ao responder a uma pergunta do oposicionista Pauderney Avelino (DEM-AM), ele confirmou que é filiado desde 2004 ao PR, partido que domina o Ministério dos Transportes desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Depois das denúncias, o próprio presidente da sigla, Alfredo Nascimento, que era ministro dos Transportes, deixou o cargo.
No depoimento, Pagot buscou ainda isentar o diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, ligado ao PT, de responsabilidade isolada por acréscimos nos preços das obras, foco de reclamação da presidente Dilma que levou às denúncias.
Ele também se referiu ao novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com elogios, dizendo confiar em sua competência. A substituição não agradou parte dos parlamentares do PR, que preferiam um nome mais político, e não tão técnico.
Denúncias
O diretor do Dnit foi ao Congresso pela segunda vez para dar sua versão sobre as denúncias que derrubaram Nascimento. Nesta terça (12), falando a senadores, Pagot buscou demonstrar que as decisões sobre o aumento de preços em obras em rodovias eram tomadas de forma coletiva, com participação de ministros da Casa Civil, Planejamento, Fazenda, Meio Ambiente e Transportes. Ele evitou, porém, apontar responsáveis diretos pelo encarecimento.
Os acréscimos, feitos por aditivos contratuais, motivaram uma dura reclamação da presidente em maio. A bronca suscitou as denúncias de corrupção.