Os agricultores familiares da comunidade quilombola Cajá dos Negros, na zona rural do município de Batalha, já estão exibindo resultados das ações do Programa Alagoas Mais Leite. O programa é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri) e objetiva fortalecer a pecuária de leite entre os pequenos criadores, com ações de melhoramento genético, qualidade do leite, nutrição animal e gestão da unidade produtiva.
Em Cajá dos Negros, os agricultores receberam da Seagri 20 kits de ordenha manual higiênica e a capacitação para usá-los. Agora, evitam a contaminação que pode ocorrer durante a ordenha e conseguem produzir leite com mais qualidade. Além da capacitação para utilização do kit, os agricultores recebem acompanhamento nos moldes do Balde Cheio, da Embrapa.
“O leite fica melhor, mais saudável, e não contamina o leite dos outros quando vai para o tanque”, explicou o agricultor José Damião da Silva, que utiliza o kit de ordenha manual higiênica, composto por um balde de metal com “meia boca” para recolhimento do produto, um balde de plástico com água, mangueira, um banco, “caneca de fundo preto” e toalhas de papel.
No momento da ordenha, ele lava o ubre da vaca, depois seca e tira um pouco de leite de cada uma das tetas, para verificar, no equipamento chamado “caneca do fundo preto”, se há alguma doença, como mastite. “Se houver alguma doença, a caneca vai indicar, aí a gente não tira o leite daquela teta e procura tratamento pra o animal”, contou José Damião.
“Um tanque de resfriamento de leite foi repassado à associação de Cajá dos Negros para armazenar o leite de todos os produtores. O abrigo para o equipamento está em fase final de construção e, assim, eles vão poder fazer duas ordenhas por dia, aumentando a produção e melhorando a renda”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Jorge Dantas.
Inseminação artificial gera animais melhorados – Em Cajá dos Negros também já existem bezerros oriundos de inseminação artificial realizada pelos próprios criadores. Três deles fizeram um curso de inseminação no Parque de Exposições Mair Amaral, em Batalha, promovido pela Seagri.
Um dos capacitados foi José Damião da Silva que, junto com outros dois, já fez inseminação em 14 animais do assentamento onde moram. Até agora, nasceram quatro bezerros, que possuem genética melhorada por conta do sêmen utilizado, que é de touro holandês.
A comunidade também recebeu, por meio do Programa Alagoas Mais Leite, um botijão de nitrogênio com 500 doses de sêmen de touros de alto valor genético para melhorar o rebanho, a partir da obtenção de animais que, no futuro, terão maior produtividade de leite. “A gente já percebe que esses bezerros são diferentes, são melhores”, salientou José Damião, que possui uma bezerra oriunda de inseminação artificial, chamada Rainha.
Outro criador que tem bezerros de inseminação artificial é José Ferreira Neto. “Tenho um casal de bezerros e dá pra notar a diferença”, contou. Além dele, outro proprietário de bezerro oriundo de inseminação artificial é Cícero Leite da Silva. O animal nasceu há menos de um mês.
“Temos a determinação do governador Teotonio Vilela de apoiar os agricultores familiares. No Sertão, a pecuária de leite é uma vocação, e por isso deve ser fomentada. É a atividade agropecuária que mais gera renda para o agricultor familiar e é praticada o ano todo”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Jorge Dantas.
“A principal área de atuação do Alagoas Mais Leite é a região da Bacia Leiteira, onde há o maior número de produtores envolvidos com a atividade, mas outras áreas do Estado foram identificadas como potenciais, por isso, estamos garantindo apoio, seja por meio de tanques de resfriamento, seja com máquinas forrageiras ou com orientação técnica”, frisou o secretário.