Congressistas americanos manifestaram nesta quinta-feira sua preocupação com a presença do movimento Hezbollah libanês na América do Sul, sobretudo na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), e na Venezuela.

O movimento libanês Hezbollah "tem uma vasta rede na região", e isso constitui um risco para a segurança nacional americana, advertiu o republicano Patrick Meehan, chefe da subcomissão Contra o Terrorismo da comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes.

"A inteligência americana e os corpos de segurança estão preocupados com a ameaça terrorista que emana da área da Tríplice Fronteira", disse Meehan durante uma audiência.

O Hezbollah realiza amplas atividades ilícitas para buscar financiamento na América Latina, incluindo narcotráfico e contrabando e o epicentro das atividades é a Tríplice Fronteira", onde as autoridades locais mostram-se impotentes, disse a democrata de maior cargo na subcomissão, Jackie Speier.

Em recentes audiências no Congresso, autoridades do Departamento de Estado afirmaram que a presença do Hezbollah na região limita-se à arrecadação de fundos.

Mas também afirmaram que Washington mantém-se vigilante, já que considera o Hezbollah uma organização terrorista.

Os congressistas advertiram que sua presença na região está mais ampla.

"O Hezbollah trabalha com aliados e regimes hostis (...) para atacar a segurança americana com arrecadação de fundos, propagação de propaganda antiamericana, recrutando, lavando dinheiro e traficando armas e drogas", disse Meehan.

O congressista da Pensilvânia disse que uma de suas principais preocupações era a Venezuela, um aliado próximo ao Irã.

Mas uma analista do programa de estudos de Oriente Médio da Universidade de Brown, Menali Cammett, minimizou a ameaça do Hezbollah na região.

O grupo recebe aportes de imigrantes libaneses, mas "a ideia de que o Hezbollah pretende lançar um ato terrorista contra os Estados Unidos a partir da América Latina neste momento não está baseada em evidência firme", disse Cammett.