A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Derccap), em Goiânia, divulgou nesta quinta-feira o resultado da investigação que descobriu um esquema de venda de notas frias de mercadorias em 33 prefeituras do Estado. Foram indiciadas 50 pessoas, incluindo os 33 ex-prefeitos (eleitos em 2004), além de secretários municipais, que compravam as notas de mercadorias que não eram entregues. A polícia acredita que R$ 360 mil foram movimentados pela fraude.

Segundo a delegada adjunta Érica Brotel, o ex-técnico de enfermagem, Divino Antônio de Melo, 49 anos, que seria o responsável pela emissão das notas. A delegada diz que o suspeito oferecia o "serviço" em troca de uma comissão de 5 a 10% sobre o valor de produtos para uso hospitalar.

As investigações apontaram que Divino mantinha em Goiânia uma firma de fachada desde 2000. "Ele tomava o cuidado de passar notas de valores abaixo do exigido para licitação, entre R$ 3 a R$ 20 mil", disse a delegada. A fraude foi descoberta via pagamentos por meio de cheques que foram rastreados pela polícia. A quebra de sigilo bancário dos envolvidos encontrou dinheiro da fraude no valor destes cheques depositados em contas dos suspeitos.

Os acusados foram indiciados pelo crime de responsabilidade de prefeito, que pune apropriação ou desvios de bens ou rendas públicas em proveito próprio ou alheio, bem como a utilização, indevida, de bens, rendas ou serviços públicos. A pena prevista é de 2 a 12 anos de prisão. Ninguém foi preso até agora, mas a Justiça pode decretar a prisão preventiva dos envolvidos a qualquer momento.