Antes de apresentar alguns comentários sobre a repercussão da péssima avaliação dos cursos de Direito em Alagoas, e em especial sobre minhas palavras no artigo anterior a este, faço questão de reproduzir dois parágrafos já contidos no “polêmico” Exame da OAB: Reprovação Necessária”.

Peço desculpas aos leitores que são dotados de neurônios aptos à interpretação textual plena (a imensa maioria, felizmente). E, para aqueles propositalmente míopes e ignorantes que me destrataram, acusaram, difamaram e distorceram meus escritos, voltei ao artigo e destaquei com negrito e itálico os dois trechos abaixo. Só não vê quem, por mal intencionado, não quer:

Sobre faculdades e docentes: “respeitemos as faculdades privadas sérias que existem e que com seus docentes preparados prestam um excelente serviço a seu alunado”.

Sobre alunos: “sou solidário e acredito no potencial de todos estes. Sei e confio que eles têm plenas condições de superar a péssima formação que suas faculdades lhes ofertaram. Espero e torço muito para, sinceramente, um dia chamá-los de colegas”.

Em assim sendo, sobre faculdades, jamais generalizei. Há faculdades privadas sérias e comprometidas. Mas que há muita “espelunca”, isso há. O resultado do Exame atesta esta péssima qualidade.

Acerca dos docentes, do mesmo modo, não generalizei. Há excelentes professores nas faculdades privadas. Mas que há muito “doutrinador” salafrário e escasso de conhecimento, isso há.

E com respeito aos alunos, tratados por vezes como meros clientes ou “boletos” numerados, sou um a mais na defesa dos estudantes daquelas “faculdades” de Direito que oferecem um péssimo ensino. Estes são vítimas, e não culpados. A prova de que o ensino lhes ofertado foi uma “lorota” de mau gosto está nos pífios resultados do Exame.

Nada tenho contra faculdade privada, nem contra proprietário de faculdade privada. Com muito orgulho e honra, fui docente de universidade particular e tenho inúmeros amigos nas instituições não públicas em que lecionei.

Reitero que conheço muitos ótimos exemplos e profissionais brilhantes que agigantam estas faculdades, mesmo com condições péssimas de trabalho e salários vergonhosos.

Do mesmo modo, o ensino superior público federal (ou estadual, quando é o caso) não está imune e precisa, em muito, melhorar.

Voltemos ao texto inicial desta questão, o já citado “Exame da OAB: Reprovação Necessária”.

Reconheço deficiências na Ufal e, juntos aos colegas de nossa Faculdade de Direito (FDA), estamos empenhados em aperfeiçoar nosso ensino, nossa pesquisa e nossa extensão. Veja lá no artigo anterior o texto destacado em negrito e itálico. Para aqueles maledicentes, reproduzo abaixo:

“Não vou cansar o leitor com os números locais. Somente direi, com algum orgulho e com imenso sentimento de que ainda precisamos melhorar muito, que 45,05% dos alunos da Ufal que estavam inscritos conseguiram passar na prova. Todavia, como professor da Faculdade de Direito (FDA) da Universidade Federal de Alagoas, já me organizo junto com outros companheiros professores para aperfeiçoarmos estes indicadores de aprovação, que embora estejam bem acima da média alagoana e também da média nacional ainda estão aquém da capacidade do qualificado corpo discente desta instituição federal”.

Todos conhecem a piada do sofá. O marido chega em casa e encontra a esposa com o amante, em pleno ato de luxúria, sobre o sofá da sala.

E o que o homem faz? Como ele reage?

Vai dormir e de manhã, bem cedo, coloca o sofá para fora de casa!

Neste caso ocorre algo semelhante. Milhares de alunos são enganados e, no lugar de se voltarem contra quem lhes frauda, atacam o Exame e caluniam quem o defende.

Não retrocederei um milímetro!

Lamento, mas que há faculdades “pocilgas”, isso há. Estudantes destas instituições não são porcos, muito menos seus docentes. Todos merecem e têm meu respeito, assim como o respeito da sociedade.

Mas que certas faculdades fazem “porqueira”, isso fazem!

Encaremos de frente este fato, caso contrário a covardia e a omissão aviltará a nobre missão de advogar.

O tema é sério, mas o bom humor suaviza e nos encoraja à luta que devemos travar por ensino jurídico de real qualidade. Por isso finalizo reafirmando tudo que escrevi com a ótima, brilhante e definitiva charge do Enio Lins, publicada na Gazeta de Alagoas de hoje (por favor Enio e Gazeta, permitam-me a citação e transcrição...) e que ousei reproduzir logo acima na abertura.
 

 

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