Segundo estudo realizado em junho deste ano pela FGV, referente ao primeiro quadrimestre do ano, o preço do cigarro no Brasil se mantém entre os mais caros do mundo. A comparação foi feita com base nos preços de uma mesma marca comercializada em 22 países selecionados (tabela em anexo). A marca em questão é vendida em todos os países e paga regularmente os impostos devidos.
Realizada pelo Professor José Antonio Schontag, da FGV, a comparação de preços entre os países foi feita com base no percentual da renda individual despendida com o consumo de 100 maços ao ano. A pesquisa contrapõe a premissa de que o Brasil possui um dos menores preços de venda do cigarro, o que facilitaria a chegada do produto a uma maior parcela da população.
Por outro lado, no mercado brasileiro, existe uma expressiva participação de produtos ilegais, que correspondem a mais de 1/4 dos cigarros consumidos no país. Por não serem tributados, chegam ao consumidor a preços predatórios, podendo custar até 1/3 do valor da marca pesquisada no estudo.
O não pagamento de impostos, sem dúvida, é um dos principais fatores de desequilíbrio de mercado, pois propicia a prática de preços predatórios pelo mercado ilegal."A pesquisa apontou que os altíssimos impostos que incidem sobre o cigarro traçam um preço mínimo de venda ao consumidor, (que atualmente está acima de R$ 2,20), sem considerar qualquer margem para o fabricante. Diante disso, podemos concluir que os cigarros vendidos abaixo desse preço são um atestado de ilegalidade", afirma o Professor José Schontag. "Além de prejudicar a arrecadação do governo em cerca de R$ 2 bilhões ao ano, esses preços ainda facilitam o acesso ao produto, contrariando os objetivos das políticas públicas de saúde", completa.
Outro dado importante concluído pelo estudo é que o aumento dos impostos e o conseqüente incremento no preço de produtos como o cigarro contribuem para a maior incidência do mercado informal no Brasil.